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A bailarina

Rodopia, brinca, vive
Leve, suave, brisa que envolve
Fugaz, matizes diversos, entoa
Música que dança na pontas dos pés.

Vive, brinca, rodopia
Sonha com brilho, ribalta, luzes
Desperta olhares, gigante no foco
Diverte-se assim, brinca conosco.

Brinca, vive, rodopia
Descarta dor, metamorfoseia em sonho
Beleza, alma solta, brisa, frescor de sol.

Brinca, rodopia, vive
Disfarça a realidade, finge ser poeta, anjo, meretriz
A bailarina é atriz.

Onde ficava a dor

Precisava sair e ver de perto aquelas crianças que sorriam, corriam por terrenos baldios, fingindo que eram campos de futebol e se perdiam alegres na experiência do sol. Então, me perguntei angustiado, onde ficava a dor? A dor dos que se consumiam em contas, em brigas rebuscadas, em tons alternativos de valentia e medo.
Onde ficava a morte rasteira que rondava os condomínios abarrotados de perfis estranhos e desconfiados. Por que não se sabia seus nomes? Por que as crianças brincavam felizes? A felicidade não tinha ambiente naquele meio.
Ela até vinha devagarinho, teimosa e se alojava naqueles olhos febris, nos corações vigorosos de quem corre e pula e brinca e se esfarela em sonho e esperança. Que queriam as crianças da favela? Por que se alienavam da fuligem dos fogos em fundos de quintais, de calçadas quebradas e veias dispersas de águas turvas e nojentas. Por que ultrapassavam a borra das valetas imundas, enlameadas de dejetos e o que mais entulhava as valas dos porco…

Agitação impetuosa

A noite já acabrunhava os ossos mais frágeis pelo sereno que se intensificava. Doía uma certa melancolia, às vezes doce, às vezes ácida, deixando na boca uma secura que despertava a vontade intensa de qualquer líquido. Como se jorrasse do céu, por um minuto, um décimo de minuto uma água nítida e brilhante, muito mais do que chuva, muito mais do que qualquer despencar de nuvens em água, mas alguma coisa forte que significasse um banho profundo na alma e no corpo. Um banho que me transportasse a outro extremo da vida, talvez mais doce, mais límpido, mais puro, mais profundo.
Caminhei como pude, enquanto as luzes se apagavam e surgiam as dos velhos postes das ruas transversais. Na casa acachapada no chão, uma calçada alta, que realçava o que havia lá dentro mais do que as paredes esverdeadas da casa. Uma luz tão amarela quanto às dos postes, mas mais fraca e algumas sombras, como fantasmas que se deslocavam de um lado para o outro, acercando-se da janela, espiando pelas frestas, tentan…

O novo normal

Chegam as compras, tudo adquirido online. Põe a máscara, acerta nas orelhas, um pouco caindo, não pode tocar na parte da frente. Abre a porta, olha para o entregador, entre assustado e desconfiado. Ele usa máscara? Está usando somente aqui, na minha frente, ou acabou de colocar no carro e andava aí pela rua, descuidado? Como pensar em tudo isso e ainda pegar as compras e o pior, pagar em dinheiro porque não recebe em cartão. Pegar o troco. Coitado, está sofrendo com toda esta loucura tanto ou mais do que eu. Na verdade, mais, muito mais, porque está se arriscando o tempo todo. Pego o troco, me atrapalho com as sacolas de plástico que deveriam ser abolidas. Mas aqui estão elas. Me despeço do entregador, que se afasta rápido na moto. Sento num banco baixinho, esparjo álcool principalmente no local em que ele segura a sacola, mas só por enquanto, porque logo, que tirar os mantimentos, terei que passar o álcool em todos os pacotes, e separar os sacos plásticos n…

Tempos e momentos

Houve momentos em que não teve lua, ou seja, ela surgiu tímida entre algumas nuvens e desapareceu. Mas nós sabemos, que ela estava lá, escondida entre as nuvens e realizando os mesmos movimentos, claro que na sua velocidade, tão diferente da nossa percepção.
Houve momentos em que a noite escura parecia se propagar e permanecer para sempre, que as estrelas houvessem sumido ou terminado o seu tempo e embora outras nascessem, não as víamos e o universo parecia mais escuro e solitário. Tínhamos impressão de uma noite eterna e que nunca mais veríamos a luz do sol. Mas, eis que o sol nasceu e aos poucos a luz no horizonte começou a surgir e iluminar os campos, as casas, as ruas, os dias.
Houve tempo de muita seca, estiagem nociva para ao solo cada vez mais árido, cujos grãos morriam e os sobreviventes produziam frutos frágeis, esturricados pelo sol, danificados pela fragilidade de sua constituição.
Houve tempo de chuvas, de alagamentos, da terra encharcada e vimos muitas vez…

ATOR ARRASA EM FALA SOBRE CORONAVÍRUS

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Pandemia

Espio o mar e sinto a espuma das ondas orbitarem por meu cérebro, minha mente, meu espírito.
Outras vezes, passeio por terras distantes, sentindo nos pés e na moleira o calor do sol, o fustigar do vento, o estalar do salto nas calçadas de pedra. Por momentos, o calor abrasador, quase chama, quase incêndio, nas areias escaldantes do deserto, o vento assobiando nos ouvidos, borbulhando no coração e mentes, o reluzir do brilho nos óculos escuros, a dor na fronte, a sobrancelha levantada, a falta de ar.
Por momentos, estou no ar noir da Londres molhada, as correrias às avessas à procura de criminosos, o rio lamacento da noite sem lua, um corpo estirado, boca escancarada, medo na lanterna do celular.
Às vezes, viajo tranquilo nos trens que seguem percursos longos, entre países, embora perceba entre seus passageiros uma certa de desconfiança de que alguma coisa está prestes a acontecer. Por vezes, ouço uma música no Spotify e meu coração se ilumina e minha mente, meu espírito se rendem à…