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Um certo despertar

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Seguia pela Avenida Portugal numa dessas tardes primaveris, um tanto outonais, atualmente. Um pouco de frio, mas o sol da tarde aquecia a pele e parecia indicar a proximidade do verão. Que nada, daqui a pouco, retorna o ciclo de calor e frio, como se a natureza, obediente às suas próprias suas regras, quisesse apenas nos preparar aos poucos, para as mudanças que se anunciam e transcorrem lentamente.              Olhando ao longe, embora estivesse de carro, pude ver um céu muito azul, de vez em quando, entrecortado pelas árvores que se debruçavam distraídas em suas copas sobre a avenida. Meus olhos, acostumados ao nosso céu, no entanto, pareciam descobrir, naquelas ocorrências de cores, nos caminhos da Cidade Nova, algo que há muito não experimentavam: um certo despertar. Como se uma nova era estivesse nascendo e um vento suave, quase brisa, soprasse devagar novos ares, novas descobertas, novas esperanças.   ...

O SEGREDO

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Quando avistou a mãe no velho espelho do quarto, pensou que chegara a hora. Olhar enviesado, taciturno. Precisava de coragem, isso sim. Coragem que nunca tivera na vida. Era um fraco, diziam seus irmãos, truculentos e pouco amistosos. A própria mãe se preocupava com aquela passividade que sempre o caracterizara. Mas, enfim, era chegada a hora. Como contar porém, que à noite, não ia para a casa de amigos, mas apenas circular por vielas escuras. Um impulso indefinido. Talvez sentir-se vivo. Impulso, pulsão, compulsivo. Tudo que havia ouvido de centenas de psiquiatras, psicólogos, psicanalistas e até autores de autoajuda. Sabia, entretanto que precisava seguir o ritual. Um sentimento de busca, uma verdade inconteste que latejava no peito e respondia no sexo, o degrau inferior que percorria pensamentos, mas que o impelia a se sentir alguém. Talvez fosse um louco, destes que andam às escuras, escondidos nas brumas das árvores dos parques, prontos a atacar ou serem atacad...