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A cicatriz de uma época

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Nunca a realidade deveria superar a ficção, entretanto, o homem extrapola a sua humanidade, para tornar-se apenas uma ideia, um conceito, expressado a partir de quem está no poder. Talvez aqueles objetos observados em Auschwitz fossem apenas um signo linguístico nos quais observaríamos o que representam os sons e imagens que estão em nossa mente. Ali portanto, os objetos abrangem muito mais do que representam na realidade, pois sua memória é impregnada de sentimentos, dores, sofrimentos das pessoas ali representadas. Quantas vezes, a menina não imaginou um lar cuja boneca fazia parte do sonho, orquestrado por mãos pequeninas e frágeis que a transformavam no ícone do prazer infantil. Uma menina e sua boneca. A mãe e a filha. A professora e a aluna. Quantos sonhos e esperanças. Quantas vezes aqueles sapatos passearam pelas avenidas e torceram seus saltos nos paralepípedos ou se aproximaram dos degraus das igrejas ou se afastaram por trilhos procurando saídas, transmudando-os em...

O dia em que me roubaram a palavra

Eu estava à cata de informações para uma redação, na imaturidade de meus 13 anos. Os acessos eram difíceis, embora houvesse jornais, TV, revistas e, principalmente, a imaginação. Naquele julho de 69, a Apollo 11 era a primeira missão de sucesso, com Neil Armstrong pisando na Lua e surgindo nas telas da TV, em uma imagem entrecortada de chuviscos e emoção. Eu elaborara a redação com cuidado, tentando ser o mais verídico possível, sem ser previsível. Naturalmente, não possuía essa percepção de previsibilidade, mas, por pura intuição, tentava ser original, no esforço de transformar o texto em um produto bem elaborado. Enveredava, sempre que podia, pela imaginação, transportando meu mundo interior — fundamentado na fantasia do espaço — para o papel, procurando decifrar a perspectiva que possuía do avanço espacial. Aquela nave maravilhosa, desenhando no céu uma centelha de luz, trazendo a nós, terráqueos, uma visão tão próxima da Lua, com a certeza de que os astronautas pisavam, pela primei...

QUESTIONAMENTOS SOBRE O ROMANCE “O ECLIPSE DE SERGUEI” DE GILSON BORGES CORRÊA

Por que o nome do romance “O eclipse de Serguei”? Serguei é um homem na faixa etária de 30 anos, cuja vida se resume numa luta constante entre o cotidiano medíocre e sua vida interior comandada por ações passadas. Trabalha num cartório e faz um turno numa biblioteca de um museu, mas parece não se sentir à vontade em lugar nenhum. Faz uma crítica feroz aos colegas, ao chefe, principalmente recheada de preconceitos, que embotam seus sentidos e pensamentos. O romance se chama “O eclipse de Serguei”, porque quando pequeno, tomado por uma curiosidade infantil, ele pretendia munido do maior interesse, assistir ao eclipse. Neste momento, porém, estava numa escada, observando uma aranha que colhia uma mosca em sua teia. Lá , costumava caçar os insetos e guardá-los num pote. Quando a empregada, uma mulher ignorante e perplexa com o fenômeno, corria para todos os lados acendendo velas, ele se desequilibrou e perdeu o eclipse. Neste mesmo dia, seu pai desaparecera para sempre de sua vida. Era u...