Enquanto houver dignidade
Muitos golpes. Fake news. Mentiras pronunciadas sem pudor, sem qualquer constrangimento. Incertezas sobre quem vale, quem serve, quem é digno. Incertezas da vida, do amor, das buscas e das verdades. Traições. Dissimulações. Acusações. Mas nada disso pertence apenas ao nosso tempo. Não são novos os sentimentos, nem as intenções, nem os destemperos humanos. Novas são apenas as ferramentas do arbítrio, da mentira e da traição. Aperfeiçoaram-se os meios; o homem, porém, permanece essencialmente o mesmo. Mudaram as roupagens. Ampliaram-se as possibilidades de interpretação, de manipulação e de alcance. Ainda assim, desde sempre, o homem tenta burlar o próprio homem, sobrepor-se a ele, dominá-lo, submetê-lo à sua vontade e aos instrumentos de seu poder. Transformou-se a tecnologia; não a natureza humana. Entretanto, há também a contrapartida — e talvez nela resida a esperança. Sempre existirão aqueles que resistem à barbárie, os que preservam a dignidade mesmo em tempos de ruína m...