Faz-se um silêncio
Faz-se um silêncio lá fora. Parece que, de repente, o mundo parou. Nem um som
humano, nem animal, nem de qualquer máquina. Faz-se um silêncio aqui dentro. Um
batimento tranquilo, quase meditação.
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Nada há que incomode, que impressione, que
agite. Faz-se um silêncio de água parada. Um rio que não corre, um mar que não
avança. Um sopro, uma brisa que não existe. Nem um bater de asas, uma folha que
cai, um arbusto que quebra. Um galho seco. Faz-se um silêncio. O sereno que se
espalha invisível, uma névoa que se esvai, um brilho de lâmpada no asfalto.
Faz-se um silêncio. Nem uma palavra, uma única. Cada sílaba, cada letra, cada
fonema, cada respiração. Faz-se um silêncio quase impune. E quem sabe, para
alguém, o silêncio é tão forte que grita.
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