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Onde encontro a Páscoa?

Onde encontro a Páscoa? Que vejo nas praças, nos parques, nas ruas, nas vielas empoeiradas, nos becos encardidos, na tristeza dos olhares, na fome revisitada, nos céus de abandono, no mar distante, nas ruas sem fim. ✦ ✦ ✦ Que vejo nas calçadas ardentes de outono, resquícios de dias quentes da estação passada? ✦ ✦ ✦ Que vejo de chinelos velhos em pés sujos, de andrajos soltos pelas pernas finas e desajeitadas. Que vejo neste balé disperso e deformado da mulher que grita pelo centro da praça? ✦ ✦ ✦ Que pula, dobra os joelhos para o monumento, retira os livros para a doação e os segura como um troféu. Fala alto e forte ante olhares soturnos, abandonados em telas brilhantes ou desconcertados pela loucura, como contagiosa fosse. ✦ ✦ ✦ Apesar das sombras do início da noite, ela continua lá, explanando um discurso que é para si mesma. ✦ ✦ ✦ Um casal de turistas, provavelmente, visita o monumento, tira fotos da criança, observam por um momento a cena e prosseguem na t...

OS DEZ TEXTOS MAIS LIDOS NO MÊS DE JULHO/2016

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1º - O cofre e as moedas 2º - A identidade subjetiva, a alteridade e as diferenças 3º - Um crime na cidade que sabia demais 4º - Morte lenta 5º - Moedas nas frestas 6º - Momentos e encontros 7º - Iolanda 8º- Por que temer a travessia? 9º - Metáforas cruéis: desqualificação das mulheres e negros 10º - A varsóvia que vi: suas peculiaridades, beleza, modernidade

Por que temer a travessia?

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Fonte da ilustração: https://pixabay.com/pt/metamorfose-casulo-borboleta-macro-228720/ Não penses que a borboleta baterá trezentas vezes as asas aos teus ouvidos, nem que as flores vicejarão impunes, mesmo que as regues e cuides todos os dias de tua vida. Um dia te cobrarão pela beleza que expressam. Um dia exigirás que seu perfume abranja um espaço maior e que seus brotos e ramos pululem abrangendo tua paisagem interior. Nunca pensaste que a vida viraria de ponta-cabeça, que o mundo que corria lá fora, corria muito mais veloz dentro de ti mesmo? Nem percebias o quanto teu espírito sugava o néctar de cada flor e as examinava muito mais do que as borboletas ou quaisquer outros insetos. Por certo, ficavas plasmado como uma folha tenra, mas sem vida, caída ao tronco da árvore, próxima à raíz, embora sem qualquer ligação com a seiva-mãe. Foi num salto que a vida te mostrou sem ressalvas o que eras e o que no fundo já sabias. Foi num salto que mergulhaste no nada, um vazio ...