Clarissa
Sair à procura de algo que nem sempre se sabe ao certo o que é: uma viagem em busca de um pequeno diário, de um caderno colorido com páginas desenhadas e margens enfeitadas, ou uma caneta especial, de ponta fina, daquela marca encontrada na livraria onde ela comprara o seu livro. Mostrava-se quase sempre assim: exigente, disciplinada, austera para a idade, mas também capaz de atitudes impensadas aos olhos dos mais velhos. Tinha sempre um argumento na ponta da língua (afiado, cirúrgico), mas profundamente leal, afetuosa e sincera. Por vezes, deixava-se conduzir pelo sonho e pelo lúdico. Tinha um cão imaginário – que eu lhe apresentara –; o mar, a lagoa e as árvores eram entidades vivas, dotadas de sentimentos e reações, as quais costumava saudar como quem conversa com velhos conhecidos. Relacionava-se com o ambiente ao redor como se esses cenários fossem tão reais e presentes que integrassem o cotidiano, e não apenas o campo da ficção. Entretanto, possuía uma luci...