O DOCE BORDADO AZUL - 28º capítulo e 29º (ÚLTIMO CAPÍTULO)

A seguir os dois últimos capítulos de nosso folhetim. No 28º capítulo, Laura revela-se à filha e no último, em sequência, são guardadas as melhores emoções.

Capítulo XVIII

O vulto na janela

Lúcia parou em frente da igreja do convento. Há tantos anos misturava-se entre aqueles prédios, passeava pelos jardins com a intimidade de seus sentimentos. Visitava vielas, aprofundava-se em seus encantamentos, observando, às vezes, o pôr-do-sol que se precipitava nos espaços que se abriam entre os muros.

Hoje, porém movia-se sob um impulso quase incontrolável, induzida por uma sensação nova de bem-estar, disposta a entrar e quem sabe fazer uma prece, encontrar-se consigo. Não havia sofrimento. Tinha a alma leve e a impressão de que devia cultivar esta plenitude que poucas vezes sentira.

Entrou na capela que estava na penumbra. Observou a iluminação fraca em decorrência dos raios de sol beijando os últimos bancos. Estava em completa solidão. Aproximou-se um pouco, olhou para os lados, observou os nichos de santos, a imagem da Virgem ao fundo, atrás do altar, algumas luzes coloridas que insistiam bailar pelo solo oriundas da clarabóia e ajoelhou-se no antepenúltimo banco. Persignou-se, abriu um livro de orações, com a capa forrada de plástico e lembrou-se de seu tempo de infância, quando passava tantas horas absorta entre aquelas paredes, atingida que se sentia pelos dons do espírito, tão bem delineados por Irmã Dolores.

Uma lágrima correu furtiva, limpando o olhar. Rezou baixinho e sentou-se, sentindo a paz que precisava. Por um momento, teve a impressão de que alguém a espiava. Voltou-se, mas não viu nada além dos vultos das imagens. Mesmo assim, levantou e deu alguns passos em direção ao altar. Dirigiu-se à sacristia. Não havia ninguém. Percebeu pela janela que Irmã Carlota se afastava rapidamente, então imaginou que ela estivesse ali. Mas o que queria? Por que não tinha se aproximado?

Já no pátio, quase em penumbra, ainda tinha a impressão de ser vigiada. Observava os prédios nos quais residiam as freiras e percebia que apenas uma luz estava acesa. Vez ou outra, uma sombra se esquivava na janela e pela posição em que se encontrava, tinha certeza de se tratava de Irmã Carlota. Parou um momento e a figura moveu-se, desaparecendo em seguida, como se a estivesse observando.

Sentiu um arrepio, temendo alguma agressão, imaginando-se seguida, naqueles caminhos desertos, cada vez mais escuros. Ainda tinha consigo estes sentimentos, embora reconhecesse ser praticamente impossível qualquer investida dentro do convento.

Apressou o passo e estremeceu, quando sentiu alguém tocar-lhe no ombro. Sem voltar-se, percebeu que se tratava de uma mão pequena, delicada, quase de uma criança. Olhou por cima do ombro e exclamou, surpresa: – Irmã Carlota, que faz aqui?

– Lúcia, não se assuste. Eu a vi quando entrou na capela, mas não consegui falar-lhe.

Quem olhasse detidamente para Lúcia, perceberia, apesar da luz efêmera que iluminava o seu rosto, um ar de contentamento. Dizia a si mesma que estava sendo importante para Irmã Carlota e por isso, desfrutava o momento. Perguntou-lhe por que não a interrompeu em suas orações, por que desapareceu quando ela a procurou.

A freira parecia excessivamente preocupada.

– Na verdade, eu a procurei mas em seguida recebi uma chamada no celular. Tive que sair, mas o que tenho para dizer-lhe é bastante grave.

Lúcia demonstrou contrariedade. Afinal, por que não a convidava para irem ao escritório, como todas as pessoas que ela costumava receber? Por que com ela as coisas tinham de ser daquela maneira casual, sem qualquer formalidade? Tratava-se de um assunto importante e ela continuava ali, atravessando aqueles canteiros, percorrendo os atalhos íngremes, subindo e descendo, esfregando as mãos como uma colegial inexperiente.

– Então, podemos conversar no escritório, Irmã.

– Não é possível Lúcia.

Ela já esperava por esta resposta. Jamais a convidariam com o mesmo respeito, a mesma sobriedade com que fariam com Bárbara, por exemplo. Além disso, ela já não representava uma pessoa de boa reputação para aquela comunidade. Consideravam-na uma qualquer, uma mulher que tinha feito chantagens, que se apropriara de um simples diário de adolescente para obter benefícios próprios, não merecia mais o carinho, a gratidão.

– Então me desculpe, irmã, mas tenho mais o que fazer.

– Lúcia, por favor, o caso é grave, como lhe disse.

– Mas eu quase nem enxergo a senhora nesta escuridão. Como quer que eu reflita em alguma coisa importante?

A irmã prosseguia ao seu lado, insistindo que ela deveria acompanhá-la. Não gostaria de informar-lhe da situação, tão bruscamente, pois era necessário que o fizesse aos poucos.

– Como assim? Do que se trata?

Na janela do quarto, surgia novamente o vulto de uma freira. Irmã Carlota levantou a cabeça, dirigindo o olhar e estremecia. Suas mãos suavam frio. Cruzava os braços e os abandonava, em seguida, deixando-os cair ao colo, sem paradeiro. Lúcia voltou a perguntar do que se tratava e ela, num gesto inesperado, segurou-a pelo braço, dizendo com firmeza.

–Venha comigo.

Lúcia obedeceu, aturdida pela ordem inesperada. De repente, voltava ao passado e sentia-se uma menina obedecendo assustada a ordem da superiora.

Atravessaram o que faltava de jardim, quase correndo e entraram no prédio que pertencia à residência das freiras.

Subiram rapidamente as escadas e no segundo andar, depararam-se com um grupo de freiras que as esperavam assustadas, resmungando entre si, parecendo temerosas de uma catástrofe.

Lúcia não entendia o que estava acontecendo.

Aproximaram-se do quarto, cuja janela se via uma freira surgindo daquela forma fugaz que observavam de fora.

Irmã Carlota afastou o grupo com um gesto, que se furtou a obedecer, apenas juntando-se mais umas nas outras, como um bando de aves assustadas, penduradas num galho.

Arrastou Lúcia até a porta e cochichou ao ouvido uma frase que fez com que todas esticassem os pescoços e abrissem ainda mais os olhos, voltando em seguida à posição atual.

Irmã Carlota voltou-se para elas, encarando-as com censura e pediu à Lúcia, com carinho: – por favor, bata na porta. Diga que é você. Não queremos chamar a polícia.

Lúcia ficou intrigada. Estremecia a cada gesto, os ouvidos próximos à madeira tentando ouvir não sabia exatamente o que, mas preparava-se para o pior.

Bateu algumas vezes na porta, a mão espalmada, dolorida. Falava baixinho, quase murmúrio. Silêncio absoluto. Batia novamente e desta vez gritou: – sou eu, mamãe, Lúcia. Abra a porta.

As freiras sobressaltaram-se, levantando a cabeça, olhando-se umas às outras e depois voltando-se para Irmã Carlota, esperando alguma atitude. Ela continuava calada.

Lúcia prosseguia no apelo. Cabeça encostada às mãos, molhadas por lágrimas.

– Por que não abre, o que está acontecendo?

De repente, a voz de Laura parecia vir de muito longe. Começou a falar desatinada, sem ouvir respostas, acusando Lúcia, como se o dissesse para si própria.

– Você me traiu. Você se juntou àquela Bárbara e quando Gustavo estava lá, você estava com ela. Você ouviu a minha conversa. Não foi capaz de ouvir a minha história, de saber o quanto a protegi destes abutres estes anos todos. Agora está junto delas, contra mim. Eu a vi, atravessando o jardim com a jararaca.

– Deixe-me entrar. Eu vou ouvi-la.

– Você sempre preferiu ouvir os outros do que a mim. Agora me deixe aqui, sozinha.

– Mas o que pretende fazer?

Silêncio absoluto. Lúcia sobressaltou-se, temendo que alguma coisa grave acontecesse. Aproximou mais o ouvido da porta, enquanto Irmã Carlota também se aproximou e falou baxinho. O grupo se antecipou rápido, imitando a líder. Em seguida, recuaram, ficando à espreita, esperando um desfecho trágico.

Lúcia voltou a bater na porta, pedindo à mãe que a abrisse. Precisavam conversar, ela deveria explicar-se.

Nisso, se ouviu um barulho, como se uma cadeira fosse derrubada. Alguns segundos depois, um som metálico na fechadura.

O grupo recuou mais ainda, avançando pelo corredor. Irmã Carlota as acompanhou desta vez.

Lúcia permaneceu na porta. Esta se abriu lentamente e Laura exigiu que Lúcia entrasse sozinha. Ela voltou-se rápida para Irmã Carlota, que assentiu com um movimento de cabeça.

Lúcia empurrou a porta devagar e sentiu um aperto no peito. A cena que viu parecia fazer parte do cenário de teatro do absurdo.

A mãe vestida com um hábito muito pequeno para o seu corpo, um enorme rosário ao pescoço, os cabelos desgrenhados e um véu cinza, sentada numa pequena poltrona.

– Passe a chave na porta. Deixe aqueles abutres lá fora.

Lúcia se aproximou, tentando acariciar-lhe os cabelos e ela a repeliu imediatamente, com um gesto brusco. Pediu que sentasse na cama, próxima a ela.

Lúcia passou os olhos pelo quarto, mas se deteve em seguida na mãe. Estava transtornada, em estado de torpor. Perguntou-lhe o que estava acontecendo.

Laura mostrou-se irônica.

– Um velho sonho. Gostaria de saber como estas putas se sentem vestidas assim.

–Você está sendo injusta.

– E quem é justa? Você? Você me traiu, Lúcia. Todos me traíram, você, Bárbara, Gustavo e até aquela sobrinha fictícia dele.

Lúcia pretendia perguntar a quem se referia, mas não teve tempo. Ela prosseguiu a narrativa, balançando na poltrona e ajeitando a saia que lhe subia pelas pernas inchadas.

– Ela pensa que eu não descobriria. Estavam todos aliados para me espionar, investigar a minha vida. Eu o fiz contar tudo, antes de morrer – e como se lembrasse da cena, Laura ri descomedida, sacundindo o corpo.

Quando finalmente controlou-se, comentou: – ele não conseguia dizer nada, aquela boca costurada, os olhos desesperados, como um peixe preso no anzol, inchando as mandíbulas, chegando aos estertores da dor. Então, eu o fiz escrever. Soltei uma das mãos e dei-lhe papel e caneta. Escrevi antes três opções: Paula, sobrinha, espiã. Ele fez um x na última opção e deu o último suspiro – e voltando a rir – não é engraçado? Morreu respondendo uma prova, como um vestibular.

Por fim, resumiu com raiva: – idiota! Merecia aquele destino.

Lúcia perguntava de quem se tratava, mas ela não a ouvia. Prosseguia sem preocupar-se em ser interrompida, como se ministrasse uma palestra. Mesmo assim, encarou Lúcia com um ar de pesar.

– E você se juntou com aquela Bárbara. Quando ela me telefonou, você estava junto, ouvindo tudo, confirmando tudo o que ela dizia. Só que nem você nem ela sabiam que tudo o que fiz foi por sua causa. Eu a defendi desta gentalha, eu queria que você crescesse, que desfrutasse de uma posição de destaque neste covil. Só que tudo deu errado.

– Como soube que eu estive com Bárbara?

Laura calou-se. Estava disposta a não comentar mais nada do que acontecera. Já dissera o suficiente. Lúcia então insistiu que deveriam voltar para casa. Esqueceriam tudo e estariam juntas, como sempre. Não importava mais Bárbara, Madalena, Irmã Carlota. Elas esqueceriam tudo isso.

Laura negou com a cabeça, tristemente. Depois levantou-se e aproximou-se da janela.

Lúcia a seguiu no gesto, mas ela pediu que ficasse onde estava e concluiu. Quando chegar em casa, procure o meu bordado azul, inacabado. Não importa. É a minha mortalha. Quero que me cubra e me vele na sala, próxima a minha poltrona e deixe-me ao lado da janela, perto da minha televisão, com os meus biscoitos e meus refrigerantes. Nada de flores. Detesto flores, você sabe.

Lúcia afirmava entre lágrimas, que ela não iria morrer, que esquecesse aquelas bobagens, mas Laura gritou, pedindo que calasse a boca.

– Não se esqueça de abrir a cortina para que todos me vejam, principalmente aquelas vizinhas mexeriqueiras que expulsei da minha porta. Mas quando procurar a minha mortalha, você terá uma surpresa. Vai encontrá-la no quarto amarelo, assim como se surpreenderá ao visitar Bárbara. Talvez, nunca mais a encontre.

Ao terminar a frase correu até a janela, tentando atirar-se. Lúcia pediu socorro às freiras, desesperada, que invadiram o quarto, tentando ajudá-la. O grupo se antecipou, batendo-se umas nas outras, examinando curiosas, tentando desvendar os acontecimentos. Irmã Carlota intimidou-se, ficando um pouco atrás. Apesar disso, entraram em desespero, acercando-se de cadeiras, ultrapassando a cama, abalroando-se em objetos espalhados pelo quarto, mas não puderam evitar, transtornadas, a queda que se dava de uma forma extremamente imprevista, apesar de todos os acontecimentos a favor.

Irmã Carlota se deteve apavorada, as demais voltaram correndo para fora do quarto. Perguntou, em desespero: – o que você fez, meu Deus? O que você fez?

Capítulo XXIX

A mortalha

Alguns aproximavam-se devagar, outros espiavam da esquina, à espera de amigos ou outros vizinhos com a mesma finalidade.

As mulheres alvoroçadas, comentando o tema principal, descuidando-se cruéis, produzindo risinhos entre si, fazendo comentários maldosos e inoportunas sentenças.

Alguns homens também se aproximavam, mas ficavam meio às ocultas, sob as árvores, apenas conversando, comentando o ocorrido. Por vezes se esqueciam e voltavam ao futebol, tema em que se mostravam desembaraçados e unidos.

Os meninos largaram a bola, curiosos, empurrando-se, dando safanões, criando apostas e fingindo-se detetives.

As meninas vinham em bando, discutindo alto, exemplificando através de gestos o cenário da tragédia, caminhando apressadas, mochilas às costas e trazendo consigo uma infinita gama de perguntas e presumíveis respostas. Tais como as mulheres adultas, preocupavam-se em dar o seu panorama dos acontecimentos, identificando-os de acordo com suas experiências. Às vezes corriam, às vezes paravam no meio da rua, aguardavam o passar de uma bicicleta e sendo alguém conhecido, anunciavam o fato, informando local, situação aparente e hora a ser consumado.

Ao descerem do ônibus, adolescentes também se punham a procurar a casa. Mas ainda tinham aquele temor do desconhecido, onde se conhece o medo em plenitude apenas quando se depara com o inimigo. Fatalmente seguiriam o grupo, mas se acomodavam na parada, encostadas no muro grafitado, entremeando as conversas também relacionadas aos meninos, pratos preferidos de todas as horas.

No banco de pedra, velhos observavam atentos a chegada dos ônibus. Também desceram as freiras, com uma postura digna, acostumadas que eram às solenidades, às normas burocráticas, ao recolhimento, embora seus corações estivessem aflitos tanto quanto os demais e por conseguinte zelosos, na possibilidade de verem ao vivo o que maginavam.

Irmã Carlota não estava com elas. Certamente viria no carro do convento, ao lado de outras freiras da mesma hierarquia. Estaria concentrada, escondendo uma lágrima que insistiria resoluta em arder-lhe os olhos e fazê-la sofrer.

Aos poucos, a rua começou a encher. Muitos comentavam o fato da polícia acampar em frente à casa, após levar o corpo de um homem num esquife fechado. Os meninos se adiantaram e um de skate aproximou-se da janela, encostou o rosto miúdo e os olhos grandes, abrindo-os com intensidade e medo. Chamou os outros e nisso, toda a trupe surgiu, envolta na poeira que escondia os gestos, numa profusão de flores roxas, caídas dos ipês, misturando-se nos cabelos desalinhados, discutindo sem cessar o tema do momento.

Um vozerio se formava ao redor da casa.

Os policiais impediam que todos entrassem. Havia protestos, impropérios, acusações de abuso da autoridade. Eles sorriam irônicos.

Um político mais afoito, candidato a vereador pela enésima vez fez um discurso veemente elogiando as aptidões da dona da casa. Os puxa-sacos de plantão aplaudiram, entusiasmados. A maioria vaiou, inclusive os meninos que se acotovelavam próximos à janela.

Um padre surgiu do nada, envolto na poeira, olhos vermelhos e lacrimejantes, pedindo licença, acompanhado pelo grupo de irmãs que incentivadas, encheram-se de coragem e interpelaram os policiais, dizendo-se amigas da proprietária. Espiaram pela vigia da porta e viram Irmã Carlota, ao lado de outras duas freiras, sentada, focada em si mesma. Entraram.

As mulheres se empurraram, mas foram impedidas, todas teriam tempo, no momento oportuno. Que aguardassem a entrada dos mais íntimos concluírem a visita.

Em seguida, um carro importado parou e todos os olhares se voltaram imediatamente, como acordados pelo barulho do veículo ou pela intuição de que algo extraordinário aconteceria.

Os velhos levantaram-se do banco da parada do ônibus, esperando o término dos acontecimentos, agitados pela passagem perfumada daquele corpo de mulher, bem desenhado, instigando-lhes um leve calor adormecido. Trocaram uma ou duas palavras, espantados pela beleza que destoava das demais figuras da rua.

Madalena atravessou com dificuldade a pequena multidão, aproximou-se dos policiais, mas nem precisou apresentar-se. Apenas, pela aparência, liberaram a passagem.

As mulheres comentavam entre si que devia ser parente, mas que maneira de se apresentar num momento como aquele, de batom vermelho, com os olhos maquiados, numa aparência de quem vai a uma festa. Por um momento, Madalena as escutou, mas logo as esqueceu, entrando na casa com a aparência segura.

Laura a todos recebia com uma nobreza que parecia sobrepujar qualquer sentimento de ira ou dor que ainda sentisse. Vestia-se modestamente de preto, os olhos grandes despertos, realçados por uma leve maquiagem, a boca enrubescida em tom suave, a pele intensamente pálida.

Estava tranquila, apenas observando a filha ali, inerte no caixão que seria seu, vestida com a mortalha inacabada que seria sua.

Às vezes, sorria, acompanhando orgulhosa o desfile de pessoas junto a sua janela, ocupadas em que estavam em analisar os seus bordados, espalhados pelas poltronas, pelas mesas e até cobrindo a mesa onde se depositava o caixão. Tudo estava de acordo com o seu sonho. Não importava os policiais lá fora. Eram amigos. Estavam guardando o seu sofrimento. Eram pacientes com ela, assim como estava sendo gentil com toda aquela gentalha que se acotovelava junto a sua porta. Que aproveitassem o que ela tinha a oferecer.
FIM

Fonte da fotografia: Sidewalk_Paintings_1553.JPG

by Alvimann

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