Faz-se um silêncio lá fora. Parece que, de repente, o mundo parou. Nem um som humano, nem animal, nem de qualquer máquina. Faz-se um silêncio aqui dentro. Um batimento tranquilo, quase meditação. Nada há que incomode, que impressione, que agite. Faz-se um silêncio de água parada. Um rio que não corre, um mar que não avança. Um sopro, uma brisa que não existe. Nem um bater de asas, uma folha que cai, um arbusto que quebra. Um galho seco. Faz-se um silêncio. O sereno que se espalha invisível, uma névoa que se esvai, um brilho de lâmpada no asfalto. Faz-se um silêncio. Nem uma palavra, uma única. Cada sílaba, cada letra, cada fonema, cada respiração. Faz-se um silêncio quase impune. E quem sabe, para alguém, o silêncio é tão forte que grita.
LIBERDADE POÉTICA - LETRAS LIVRES
Este blog pretende expressar a literatura em suas distintas modalidades, de modo a representar a liberdade na arte de criar, aliada à criatividade muitas vezes absurda da sociedade em que vivemos. Por outro lado, pretende mostrar o cotidiano, a política, a discussão sobre cinema e filmes favoritos, bem como qualquer assunto referente à cultura.