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Mostrando postagens de Setembro 17, 2015

A lua, a Apollo 11 e minha avó

Era evidente que havia um clima de angústia, agonia e mesmo certa correria na casa. Foi no dia do casamento dos dois. Meus avós estavam deitados em seu quarto. Minha avó observava minha mãe com uma súplica nos olhos: quem sabe aquele casamento religioso não a melhoraria, não curaria de sua doença? Ou pelo menos, não a matasse.
Eu percebia na fisionomia de miha mãe, uma inquietação que não alcançava paz. No fundo, ela sabia que não havia volta: a morte era inevitável. Apenas queria que minha avó não sofresse tanto! E aquela falta de ar que não passava, aquela angustiosa espera de que alguma coisa acontecesse e por um milagre, ela voltasse a conversar normalmente, a respirar com um ser humano normal, a sorrir talvez...
Minha mãe chorava pelos cantos, mas ocultava sabiamente dela aquele sofrimento interno, que por vezes, a fazia desmoronar. Na frente de minha avó, entretanto, sorria e dava esperanças.
Meu avô, por outro lado, parecia não entender bem aquela história, mas aceitava placidamen…