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EXTENSÃO POPULAR: um trabalho de pesquisa do Prof.Pedro Cruz

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EXTENSÃO POPULAR : PEQUENA EXPLANAÇÃO DO TRABALHO DE DISSERTAÇÃO DO PROF. PEDRO JOSÉ CARNEIRO CRUZ



Observando o trabalho de dissertação do Prof. José Santos Carneiro Cruz, Extensão popular: a pedagogia da participação estudantil em seu movimento social, que apresenta a participação estudantil na Organização da Articulação Nacional de Extensão Popular (ANEPOP), pude apreender de certa forma, uma nova visão da vida estudantil e principalmente dos atores envolvidos na imensa trama de poderes (e falta de) de nossa sociedade, na maioria da vezes, marginalizada. Sou leigo e me detive a aspectos que me emocionaram e talvez, nem consiga definir claramente os significados dos conteúdos que tentam inaugurar uma nova cidadania. Extamente isso é que me chamou a atenção, o modelo de participação popular, junto à comunidade, trocando experiências e como resultado a produção de conhecimentos de parte a parte. O mundo não é estático, ele gira e em cada face, há um espelho que refletirá inevitavelmente no outro lado. Essa é a grande jogada! Isto é cidadania!

Tudo que apreendi, desta feita, é advinda de meus conhecimentos tanto de professor, quanto de bibliotecário e experiência de vida, que me levam muitas vezes a realizar a vocação de escritor (que é a que mais pratico atualmente).

Passando pela seara da línguística, podemos afirmar, segundo Saussure, que o conceito ou ideia é a representação mental de um objeto ou da realidade social em que nos situamos, representação essa condicionada pela formação sociocultural que nos cerca deste o berço. Em outras palavras, para Saussure, conceito é sinonimo de significado (plano de ideias), algo como o lado espiritual das palavras, sua contraparte inteligível, em oposição ao significante (plano de expressão), que é sua parte sensível. Para tanto, voltando à pesquisa do Prof. Pedro, percebemos o olhar curioso, origem de toda pesquisa e conhecimento e a partir daí, o caráter qualitativo para resgatar a história, a experiência e assim compreender a análise crítica. Tudo aqui, engloba o significado , ou seja , o plano das ideias, a parte abstrata, o estudo, a pesquisa exaustiva, o encontro para atingirem o significante, que trata-se, enfim, da parte concreta que forma o conjunto e constitui o conhecimento representado. Deste modo, através da gestão de ideias (o significado) e atingindo o significante (o conhecimento representado pelos signos), o resultado real é cumprido.

Através destes aspectos, verificamos de modo mais concreto, a experiência real avaliada, examinada, estudada e compartilhada, produzindo os sinais indicativos da plena cidadania. Percebe-se que se trata de uma participação ativa no movimento, a cidadania em suas melhores formas de troca entre comunidade e universidade. Seguindo o grande mentor Paulo Freire, importam aqui as trocas de saberes e a compreensão do saber popular. A partir destes trabalhos intelectuais e práticos, ocorre um legado novo, mesmo aprendido por nossa educacao bancária, tradicional. O projeto talvez seja exatamente este, dar autonomia às pessoas que não tem voz, que não tem capacidade de luta, nem de expor as suas misérias ou esperanças. Quem sabe, elevá-las no mesmo patamar que o governo atua e transformar o que ocorre em via única, em duas ou mais, onde haja troca e conhecimento. E o conhecimento em sua plenitude se dá, sem dúvida, pela interação de nossa educação tradicional e a educação popular, tão rica nos seus nuances de experiência e vida. É a troca que viabiliza a desconstrução do preconceito. Isso é admirável!

Pretendo encerrar dizendo que este movimento é o resultado de uma transmissão de conhecimentos, o que configura a verdadeira cidadania, o verdadeiro despertar para novos vôos, onde o homem aprenda a voar junto e saiba ver-se um igual. Os vôos só divergem, porque uns abatem os outros. No caso dos pássaros, eles fazem verdadeiros balés de beleza e sabedoria. Jamais se chocam. Jamais se excluem. Jamais se afastam do objetivo comum.

Parabéns Prof. Pedro José Santos Carneiro Cruz e ANEPOP.


Gilson Borges Corrêa
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