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A permanência das palavras

Gilson Borges Corrêa trabalhou na Universidade Federal do Rio Grande como bibliotecário e também lecionou Português, Inglês e Literatura na escola pública. É formado em Letras Português/Inglês, Biblioteconomia e especialista em Ciências da Informação. Membro da  Academia Rio-grandina de Letras , mantém o blog  Liberdade Poética  e o site  Textos do Gilson , espaços em que reúne fragmentos, crônicas, contos e reflexões literárias. Participou da página literária do Jornal Agora, no caderno  O Peixeiro , pela Academia Rio-grandina de Letras. Atualmente integra a Página Literária do Jornal  Sou do Sul , pela  ARL ,  e mantém o Instagram  @palavrasdogilson , dedicado à literatura, aos fragmentos do cotidiano e às delicadas permanências da memória e da condição humana.  Entre contos, crônicas e antologias, integrou publicações como a  Coletânea de Conto, Poesia e Crônica  (2009),  Outras Águas  (2009),  Contos Vencedor...

A essência da vida

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Por volta dos anos 50, Sartre proclamara que "cada homem é singular porque constrói sua essência ao longo de sua existência". Talvez esta procura da definição de si mesmo, seja o sentido da vida. Ou não? Eu, como não gosto muito de falar em público, fiquei pensando nesta imagem de Sartre que me diz de perto o que sinto. É preciso construir a essência, não importa em que cubículo nos escondamos ou em que janela nos espelhamos. Construindo a nossa essência, identificamos quem somos e talvez seja este o sentido da vida que passamos a existência procurando. E para que o sentido da vida? O fato de ser feliz, de procurar a felicidade de todas as maneiras. No entanto, a busca pela felicidade plena não faz sentido. O que podemos almejar é a serenidade, algo completamente diferente. Só se atinge a serenidade vencendo o medo. É o medo que nos torna egoístas e nos paralisa, que nos impede de sorrir e de pensar de forma inteligente, com liberdade. Os filósofos gregos costumavam...

Onde chegará o homem?

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Não gosto de comentar notícias policiais, muito menos ficar dissecando as informações, investindo em cada detalhe e transformar o fato numa dramaturgia barata. Mas às vezes, a realidade dura nos obriga a pelo menos refletir e sofrer as consequências da falta de humanidade. O bebê baleado no útero da mãe e que não resistiu e acabou morrendo, em Caxias, na Baixada Fluminense vai contra qualquer percepção de realidade, como se o surrealismo ou a ficção concentrasse seus valores em nossa realidade. Como não se comover, como não sentir na pele o arrepio da dor e do medo ao assistir um fato tão doloroso. Isso apenas citando dois fatos, embora ocorram diariamente todos os tipos de assassinatos e perdas terríveis ao povo brasileiro. Como acreditar na humanidade e imaginar que ainda há futuro? Quando vemos nossos filhos longe, ficamos com o coração na mão e quando estão perto permanecem em total abandono, porque as balas perdidas não são excessões, ao contrário, são a regra em muitos recanto...

O bibliotecário e o escritor

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O cuidado em encapar os livros, não é coisa de bibliotecário que evita a descaracterização da obra, mas é coisa de escritor que tem o cuidado, o zelo e o carinho com este suporte maravilhoso de lazer , informação e cultura. Virginia Woolf era acima de tudo, uma grande escritora e uma cuidadora da cultura. Bibliotecário protege para a disseminação da obra, o escritor cuida. Os dois se completam.

Um olhar instigador

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Muito se fala sobre o livro e com muita propriedade. Há expressões das mais variadas que ilustram com perfeição a finalidade, a valorização e a importância do livro. Kafka fala sobre o livro com certa dureza, mas seu intuito é o de inspirar uma transformação no homem. Vejamos: "Deveríamos apenas ler livros que nos mordem e nos espicaçam. Se a obra que lemos não nos desperta como um golpe de punho no crânio, qual é a vantagem de ler?”. Os livros devem provocar sensações, deixar marcas, fazer a alma voar e a mente repensar, repensar e deglutir com paciência, quase intolerância, o que recebe. Assim é a arte em geral, que deve instigar, mexer com o nosso conforto existencial e impulsionar um olhar novo no que se vê e sente.