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Momentos e encontros

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Há momentos em que a multidão restringe os movimentos, os passos, os suspiros e outros em que a solidão prevalece em espaços vazios, produzindo estranhamentos em nossos mundos. Há momentos de abastança, festas eloquentes e climas de euforia. Outros de espanto, pobreza e medo. Há momentos de certeza, outros desconfiança. Há momentos de temperança e tolerância. Outros em guerra lutando por paz. Há momentos de entusiasmo, criatividade e procuras, outros de trabalho e suor. Há momentos de prazer, de excessos e devaneios, outros de reflexões e dúvidas. Há momentos que se cruzam, que se interpõem e se unem, ou morrem ou se recriam. Por isso pergunta-se: por que lá fora o frio, a dor, o medo, a angústia, o sofrimento? Quem sabe aqui, também, hospitais a céu aberto, onde as feridas não curam e os algozes as aceleram. A vida, às vezes, ecoa sonora e musical, lá fora. E aqui, retumba surdo o som que some e não se assume. Quem sou eu nestes encontros? Quem som...

A fotografia da vida de Santa -CAP. 26

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Capítulo 27 Linda levantara mais cedo do que de costume. Após chamar um táxi, afastara-se da casa imediatamente, sendo observada por Santa, que se perguntara onde ela iria. O motivo que relatara é que retiraria uns documentos no correio, mas Santa não acreditara na desculpa. Em todo caso, agora nada importava em relação à Linda, a não ser esperar o momento certo para desmascará-la e a afastá-la para sempre de sua casa. Neste momento, suas preocupações principais referiam-se à situação difícil em que o filho se encontrava. O caso ficava cada vez mais difícil de ser esclarecido, tornanando-o responsável pelo assassinato de Fernando. Além disso, Alfredo estava ainda mais implicado com a acusação de sequestro revelada na gravação do celular da vítima, no qual o próprio Fernando dizia não querer tomar parte e por isso, se garantia de uma presumível acusação. Santa observava pela janela Linda afastar-se rapidamente e ficar na porta da casa, quase na esquina à espera do veículo. Em...

A fotografia da vida de Santa - CAP. 26

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Sábado, 10/12/16 - Em breve o final deste folhetim dramático. Capítulo 26 Após o enterro de Fernando, Linda voltou para a casa e trancou-se em seu quarto. Apesar de todas as desconfianças e presumíveis ameaças da empregada, Santa estava penalizada com o seu estado de sofrimento. Tentou ser solidária embora Linda se mantivesse reticente. Santa também estava desolada pelo fato de Alfredo estar preso. Tudo parecia voltar-se contra a sua família e não havia nada que pudesse fazer. Então teve a ideia de fazer uma nova reunião, já que não havia conseguido unir a família pela missão que acreditava ter que cumprir, a uniria pela salvação do filho. Aos poucos, todos foram chegando. Sandoval aguardava ansioso e transtornado pelos últimos acontecimentos. Letícia e Ricardo foram os primeiros a chegar. Tavinho desceu do carro, em seguida, incomodado por mais uma convocação da mãe, que achava que poderia resolver tudo ao seu modo. Entrou na casa e foi na direção da biblioteca, mal hum...

OS DEZ TEXTOS MAIS LIDOS NO MÊS DE NOVEMBRO DE 2016

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Muito feliz com a leitura de meus textos, publico aqui os dez títulos mais acessados. Muito obrigado! 1º - Labirinto 2º - Bandeira do povo brasileiro 3º - Metáforas cruéis: desqualificação das mulheres e negros 4º - Zumbi – 1695 – Dia da consciência negra 5º - Trabalho voluntário no hospital psiquiátrico: uma provocação para a vida 6º - Passos de atriz 7º - O idiota de Dostoiévski 8º. - Estou tão à flor da pele 9º - A fotografia da vida de Santa – cap. 21 10º - Meu rumo

Um amor de avó

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Esperei que ela abrisse o manto da proteção e o estendesse sobre mim. Foi em vão. Fitei-a inseguro, olhos de súplica. Pedi perdão. Olhava-me com frieza, distanciada de meus sentimentos. Orgulhosa. Onipotente. Esperei que ensaiasse uma atitude, tomasse qualquer decisão. Falei em minhas culpas. Do mal que lhe causara: agruras devidas a preocupações, brincadeiras ofensivas, aborrecimentos inoportunos de menino levado. Que nada. Não me ouvia. Resolvera agir assim, friamente, numa pedagogia autoritária. Estava ali, sentada na poltrona de brocado, com novelos entre as mãos, olhar distante, comprido, para a janela. Minha avó. Olhando-a assim, sentia pena. De mim, dela, de nós. Por sermos o avesso de suas aspirações: cheios de vida, astutos, perspicazes, briguentos, barulhentos, perturbadores. Ela quieta, silenciosa, solene. Não nos queria por perto. Às vezes, achava que nos odiava. Tão diferente de meu avô, suave, doce, amigo, franco, feliz. Ele, no auge da alegria, satisfaç...