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OS DEZ TEXTOS MAIS LIDOS NO MÊS DE SETEMBRO DE 2015

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Agradeço aos amigos do blog pelo sucesso dos textos. Muito obrigado. 1º lugar : Vida de gado 2º lugar: As rádios locais e as tvs regionais : os sonhos e as mudanças culturais 3º lugar : A lua, a Apollo 11 e minha avó 4º lugar: Para quem "a paz de Cristo”, não passa de um cumprimento social 5º lugar: Como se desenvolve a criação 6º lugar: Desenhos, história e castigo 7º lugar : Um natal distante 8º lugar: Metáforas cruéis : desqualificação das mulheres e negros 9º lugar: A fuga de meu cão 10º lugar: Noite eterna

PARA QUEM "A PAZ DE CRISTO", NÃO PASSA DE UM CUMPRIMENTO SOCIAL

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A paz de Cristo é um cumprimento que ocorre na missa, no momento em que se transmite ao outro, ao fiel que está ao nosso lado, este sentimento de plenitude e paz que Nosso Senhor nos outorgou e que hoje repetimos nos rituais litúrgicos. É um momento lindo, de pureza e afeto, que nos une um pouquinho ao divino e nos deixa mais humanos, mais próximos do outro, mais ligados à fé. Entretanto, às vezes, nem sempre este ato beneplácito é usado de forma natural. Muitas vezes, o cumprimento não passa de uma atitude estereotipada, usada apenas no aspecto social, quase uma obrigação. Nestes momentos, penso que estas pessoas deviam passar longe da igreja, ou caso participem de alguma atividade religiosa, que o façam com dignidade. Se não gostam da pessoa, que permaneçam com seus rancores ocultos, que se afastem e se juntem aos seus pares, mas não utilizem as palavras de Cristo como um modelo artificial, apenas para demonstrar em público, uma educação (que em regra) não possuem. Acho que Cristo ...

Noite eterna

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Com tantas palavras inúteis, tantas acusações e tiros pra todos os lados, fiz este poema. Espero que a lei maior, a nossa Constituição legitime o povo grávido de verdade. Se a noite gira ad eternum e os homens brilham ao luar por que se encantar com as luzes se nada podem provar? mentiras que saem dos termos dos que proclamam a luz só trazem contornos enfermos do apelo que a ti seduz nao temer as verdades obtusas nem ferver as entranhas nas febres por certo é viver às escusas da lei maior que entoa do povo que vive prenhe de um mundo que clama à toa

Minha avó e a Apollo 11

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Havia um clima de angústia e alguma agitação na casa. Foi no dia do casamento dos dois. Minha avó estava deitada em seu quarto. Eu tinha a impressão de que ela observava a minha mãe com um olhar de súplica e até um pouco de desconfiança. Talvez imaginasse que aquele casamento pudesse curar a sua doença, ou pelo menos, não a matasse de vez. Minha mãe, ao contrário, por mais que evitasse demonstrar, apresentava uma inquietação em cada movimento ou conversa. No fundo, ela sabia que a morte era inevitável. Apenas, desejava que a mãe não sofresse tanto! E aquela falta de ar que não passava, aquela angustiosa espera de que alguma coisa acontecesse e por um milagre, ela voltasse a conversar normalmente, a respirar com fluidez, voltar a sorrir. Minha mãe chorava pelos cantos, mas na frente dela, sorria e dava esperanças. Meu avô parecia não entender bem aquela história, mas aceitava pacificamente a ideia do casamento. Não sabia porque a filha inventara um casamento religioso, tant...

VIDA DE GADO

Desci do ônibus enfrentando aquela pequena multidão envolta na bruma. Vestiam roupas pretas. Esfregavam as mãos, tiritavam de frio. Uns fumavam, absortos, aquecidos na garganta pelo poder da chama. Pigarreavam às vezes. Meu pai puxava-me o braço, ansioso. Não se sentia bem entre eles. Parecia querer fugir do lugar. Ouvi as badaladas ao longe. Seria hora da missa? Senti a mão pesada de meu pai em minha cabeça. Que queria ele? Abrigar-me da cerração, proteger-me do frio, apressar-me o passo? Caminhamos rápidos, pela rua pavimentada em cinzas de carvão. Ele, passos largos, pernas compridas. Eu, aos tropeços, pernas curtas. A pequena multidão já se desfazia ao longe. Quase não os víamos e já nem sabia se era noite ou tempo ruim. O frio congelava o nariz. Dei mais uma volta na manta, ajeitei o casaco nos ombros, puxei a gorra para os olhos. Meu pai também acertou o chapéu, que custava-lhe ficar à cabeça. Minhas botinas estavam gastas. Sentia na planta dos pés, os pedregulhos da rua, me esp...