Quando se tem amigos

Esta é uma pequena homenagem à minha querida amiga Idelci Souto, pela passagem de seu aniversário. Uma pessoa que sempre participou, com generosidade e afeto, de minha trajetória literária. Na fotografia desta publicação, ela aparece durante o autógrafo de meu primeiro romance, O Eclipse de Serguei. Amável, inspiradora, grande advogada, professora de português e também uma sensível cantora.

Há amigos, ao longo da vida, que não precisam estar constantemente ao nosso lado para que saibamos de sua presença. Amigos que talvez não convivam diariamente com nossas angústias ou dores, mas que demonstram empatia sincera por nossos sentimentos, exercendo naturalmente a alteridade, colocando-se em nosso lugar nos momentos de fragilidade ou sofrimento.

Há amigos que vivem próximos do coração, mesmo quando o contato não é frequente. Sabemos, ainda assim, que permanecem ao nosso lado.

Há amigos que se alegram com nossas conquistas, com nossas pequenas vitórias e até com os desafios que enfrentamos. Amigos que nos despertam, nos incentivam, nos apoiam e vibram com nossa felicidade. Amigos fortes, sinceros e envolventes, capazes de desconstruir barreiras e construir pontes.

Há amigos que se aproximam com palavras, argumentos, sonhos e esperança; que lutam, reinventam-se e esperam sempre boas colheitas de nossa parte, ajudando-nos também a plantar, semeando expectativas e confiança no futuro.

Tenho uma amiga assim. Uma amiga que sempre incentivou meus escritos, desde os primeiros textos, os contos iniciais, os livros publicados, os romances e as crônicas no Jornal Agora. Uma amiga rara e brilhante, cuja afabilidade e virtudes talvez eu jamais conseguisse enumerar por completo. Porque, acima de todas as qualidades, existe nela a extraordinária capacidade de disseminar esperança, com firmeza, confiança e generosidade.

Seu maior interesse sempre foi o bem do amigo. E, por isso, acima de qualquer característica pessoal, destaca-se o mérito essencial de saber ser amiga em sua plenitude: um gesto contínuo de afetividade, benevolência e carinho, movido pela sincera aspiração ao bem do outro.

Uma amiga que utiliza a linguagem em suas múltiplas representações — semânticas, metafóricas, líricas — e que, para além de todas as teorias, transforma cada conversa em uma explosão de conhecimentos, ideias e perspectivas, sejam políticas, sociais ou simplesmente humanas. Há nela um espírito intensamente marcado pela emoção e pela inteligência, tanto da advogada quanto da professora.

Quando temos amigos assim, a vida torna-se mais leve e o mundo parece abrir espaços a nosso favor. Esta minha amiga muito contribuiu para que eu prosseguisse em minha caminhada literária, sempre acreditando em minha escrita e em meus sonhos.


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