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Alguns comentários sobre o filme irlandês " Life’s a breeze"

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O filme Life’s a breeze conta a história de uma família irlandesa que tenta unir-se na crise. O desempregado Colm (Pat Shortt), sua mãe idosa Nan (Fionnula Flanagan) e sua sobrinha Emma (Kelly Thornton) devem superar suas divergências e lutar contra o tempo para resgatar uma fortuna perdida pelas ruas de Dublin. Trata-se na verdade de uma comédia suave e em muitos momentos, com forte apelo dramático, sobre a família de Nan, uma senhora idosa e seu mundo caótico, que abriga seu filho desempregado e preguiçoso e por vezes, quase toda a família. Os filhos de Nan decidem fazer-lhe uma surpresa no dia de seu aniversário. Para tanto, elaboram uma limpeza em sua casa, por acreditarem que ela acumula muita coisa inútil, tranformando, segundo eles, o ambiente num caos. Neste processo de limpeza, porém, eles se desfazem de um colchão que abrigava todas as economias de sua vida. A partir daí, começa a luta desesperada em procurar o colchão pelas ruas de Dublin. Neste momento, per...

Uma bomba e a aeromoça gaúcha

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Meu amigo tinha por hábito externar qualquer pequeno problema que o acometesse. Às vezes, um mudança abrupta no seu estado psíquico, como uma melancolia, uma vontade de afastar-se de onde estava ou simplesmente um pequeno ruído que o incomodava. Via de regra, sabíamos que reagia com certo exagero às circunstâncias, mas respeitávamos o seu modo de ser e procurávamos conciliar seus pequenos desajustes aos nossos interesses.   Naquele dia, porém a coisa fora diferente. Estávamos reunidos no aeroporto para seguirmos à Brasília para um curso relâmpago de três dias. Éramos em torno de 30 pessoas e comemorávamos a ideia de projetar o nosso trabalho de marketing para a instituição em que trabalhávamos.   Ao entrarmos no avião, fomos para nossos acentos e conversamos animados com a possibilidade de ainda chegarmos cedo à cidade para quem sabe, irmos num bom restaurante após a chegada no hotel e nos prepararmos para o dia seguinte que seria bem puxado.  Meu amigo...

"A barca e a biblioteca" na Editora Metamorfose

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A barca e a biblioteca na Editora Metamorfose A barca e a biblioteca é uma ficção que narra a trajetória de um homem que aos poucos descobre a verdadeira história de seu pai, morto nos tempos da Ditadura Militar Brasileira. Tudo começa nos anos 60, quando César, ainda menino, vive entre a fantasia de aventurar-se na barca à beira do cais e seus livros. Já na fase adulta, César é um bibliotecário que se vê envolvido em uma trama perigosa, com novos crimes, velhos fantasmas e duas histórias que se entrecruzam. Um romance de fôlego, envolvente e que foge dos clichês da representação da ditadura, mostrando sutis e cotidianas repressões.  Ficha técnica Autor: Gilson Corrêa Nº de páginas: 280 Gênero: Narrativa longa

M o E d A s NaS F r E s T a S

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Corri e juntei com as mãos todas as moedas. Nem pareciam de ouro, prata ou qualquer metal precioso. Eram de cobre ou estanho vagabundo, não sei. Mas faziam parte do meu mundo. Quando as atiraste no assoalho de casa, custou-me encontrá-las, caídas algumas nas frestas quase fendas que se abriam na madeira tosca. Temia até empurrá-las mais para baixo e chegar ao inferno. Temia enfiar a mão e todo meu braço ser sugado pelo inimigo desconhecido. A noite se formava lenta e eu sabia que precisava com urgência juntá-las e apanhá-las do chão antes que chegasses. Por certo, ririas na minha cara com aquele riso debochado que sempre se acendia nas horas de absoluta ironia. Quantas vezes te evitei e fingi desconhecer tuas metas. Quantas não ouvi o guizo de teu pescoço, saltitando pela floresta perto de nossa casa. Quantas vezes te esperei faminto e sonolento, com a certeza de que não virias. Mas hoje tinha certeza de que o sangue que te alimentava, alimentava também minha solidão. O sa...

Um menino que voa alto

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Começou devagarinho a chamar-me a atenção. A princípio, uma ideia aqui, outra acolá. Noutros momentos, um pequeno rabisco, como quem recém está se desenvolvendo e quer o peito, faminto. Aos poucos, se observa que o bebê está crescendo e começa a pedir-nos coisas. Exige cada vez mais cuidados, como se estivesse prestes a cair em ciladas. Então o analisamos com cautela, aceitamos seus pedidos, aumentamos os recursos. Começa a ficar bonito, rechonchudo, umas bochechas vermelhas de bebê de rótulo de leite. Ele cresce mais e já é um adolescente. Aí que o conflito aumenta, nem tudo está adequado aos seus desejos. Quer mais, precisa tornar-se mais forte e resistente, para que todos o vejam com vigor e sabedoria. Mas sabedoria só não basta. É preciso zelo, coerência, beleza, além dos músculos fortes e tórax robusto. Está quase no ponto de se mostrar à audiência. Precisa então de um clímax e por isso nos enlouquece a ponto de acreditarmos que não chegaremos ao final. O que busca ele...