Pular para o conteúdo principal

Carta a uma amiga, preocupada porque eu disse que Lula era um preso político


Minha amiga, entendo a tua preocupação. Olha, na verdade, eu nem sei se Lula é totalmente inocente, mas tenho certeza absoluta que não houve uma prova concreta, apenas convicções, como eles dizem. O Jucá tentava persuadir seu colega a participar do golpe (tudo gravado). E diz mais ou menos assim: “é necessário que a gente tire eles porque eles não vão impedir a investigação de corrupção; para estancar a sangria, temos de dar o golpe”. E conclui dizendo: “Com o Supremo Tribunal Federal e com tudo”.

O Lula no centro de todo o crime cometido na operação Lava a Jato e, perguntado pela imprensa – essa imprensa que julga e condena – “quais são as provas contra Lula, senhor procurador”, ele respondeu: “não tenho provas, tenho convicções”.

Aqui, nós já vemos que a justiça é seletiva. Com provas, não há acusações, nem prisões, com convicção e delações, muitas vezes com interesses pessoais (na maioria das vezes), há condenação.

“Mas o problema é que o apartamento não é propriedade dele, não está registrado em nome dele num cartório de imóveis, ele não tem a posse, nunca morou lá. E aí se descobre que este apartamento que lhe foi atribuído foi usado pela empresa proprietária como garantia de um empréstimo bancário. Como a empresa não pagou o empréstimo, uma juíza levou o apartamento a leilão. Como, então, este apartamento pode ser do Lula? Mas, como diz o juiz do processo, isto não vem ao caso.”

Além disso, a grande reforma alardeada por Moro, nunca existiu, tanto que o movimento dos Sem-teto invadiram o apartamento e mostraram todo o seu interior, com nenhuma benfeitoria. Era tudo mentira!

Outro fato:

Em fevereiro de 2016, o STF mudou o entendimento sobre a Constituição, de forma estranha, porque o tribunal não tem este poder, além do Congresso, e passou a aceitar um mecanismo que se chama prisão provisória, antes do trânsito em julgado. É prisão de qualquer jeito. Rasgam a Constituição a cada dia.

Outro fato: “No Brasil, a exclusão se combina com o privilégio. A forma de controle violento não é visível porque atinge os de baixo. Da classe média para cima, não há um nível de violência e de controle relevante. Quem são os presos no Brasil? São os jovens negros. As mulheres que sofrem mais violência são as mulheres negras. Marielle é o símbolo de uma mulher que assumiu a sua condição, que foi capaz de desenvolver uma política e, mais do que isso, denunciou tanto o privilégio como a exclusão social. A face do excluído no Brasil é criança, é mulher, é negro, vive na periferia das grandes cidades, e no Norte e no Nordeste. São estes os milhões de brasileiros que durante o governo tão odiado do PT tiveram acesso a serviços públicos e a renda. “A casa grande não admite que a senzala evolua socialmente, essa é a verdade!”

A maior corrupção foi a crise de 2008, que não nasceu aqui. A manipulação do crédito de risco e a crise financeira foi o caminho. A lavagem de dinheiro ocorre na Suíça, portanto, onde começa a corrupção? Claro, que aqui se beneficiaram desse procedimento.

O Aécio agora tem mais 60 dias para discutir a acusação. E há provas tangíveis, inclusive ele ameaçou de morte um dos parceiros (tudo gravado).

É por isso, a minha revolta.

Mas fica tranquila, amiga. Eu só ponho a mão no fogo pelos verdadeiros amigos como tu. Quero que o Brasil supere esta crise e que vá mais longe, com pessoas alcançando patamares que nunca conseguiram no âmbito social e financeiro. Quero que as crianças tenham liberdade, que o mundo evolua, que o povo não seja manipulado pela mídia, que a gente volte a sorrir.

Grande abraço!

Fonte da ilustração: https://pixabay.com/pt/balanças-espada-mulher-2374886/

Postar um comentário

PULICAÇÕES MAIS VISITADAS

Lascívia

Este conto é um desafio de uma oficina online,
sobre a elaboração
de um conto erótico com o protagonismo masculino.

Carlos estava sentado na poltrona, ao lado da janela, entediado. Quem diria que ficasse assim, depois da reunião com os estagiários e as modelos excitantes que participaram da aula de pintura. Entretanto, nem a aula ou as mulheres faziam-no esquecer o homem que se atravessara na frente do carro, obrigando-o a parar quase em cima da calçada. Por um momento, imaginou tratar-se de um assalto, apesar da aparência de executivo. Mas quem poderia confiar num homem de terno e uma maleta embaixo do braço, hoje em dia? Dera uma desculpa, dizendo-se interessado em saber sobre as suas aulas. Carlos não respondera. Estava irritado demais para explicar qualquer coisa.
Levantou-se, pegou um café e voltou a sentar-se, olhando o deserto da rua que se alongava além da vidraça. Não chegava ninguém, era o que pensava. Entretanto, não demorou muito e bateram na porta.
Espiou pelo olho mágic…

TRABALHO VOLUNTÁRIO NO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO : UMA PROVOCAÇÃO PARA A VIDA

 TRABALHO VOLUNTÁRIO NO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO : UMA PROVOCAÇÃO PARA A VIDA
Participávamos de um grupo de jovens religiosos, no final da década de 70. Era um grupo incomum, porque embora ligado à igreja católica, recebia participantes que não possuíam religião definida, sendo um deles, inclusive espírita.  Formava um caldo interessante, porque as discussões, ainda que às vezes, estéreis, produzia muitos encaminhamentos para discussão. Era  realmente um agrupo eclético, e por assim dizer, quase ecumênico. A linha que nos norteava era a solidariedade com o próximo. Queríamos inconscientemente modificar o mundo, pelo menos minorar o sofrimento dos que estavam a nossa volta. Diversos temas vinham à pauta, tais como moradores de vilas paupérrimas, desempregados, idosos do asilo, crianças sem acesso a brinquedos ou lazer. Era uma pauta bem extensa, mas houve um tema que foi sugerido por mim. Tratava-se de se fazer algum tipo de trabalho com os pacientes do hospital psiquiátrico. Houve de imed…

METÁFORAS CRUÉIS : desqualificação das mulheres e negros

Certa vez, em uma disciplina de um curso de pós-graduação em linguística, avaliamos uma série de adjetivos ou substantivos adjetivados que soam lisonjeiros para os homens e ao contrário, para as mulheres produziam conotação pejorativa, pois a própria palavra utilizada possui juízo de valor, tanto para um lado quanto para o outro. Estas distorções linguísticas são foco de vários estudos de cursos de pós-graduação e muito bem explanadas em vários artigos. Sabe-se entretanto, que a língua é apenas um instrumento que é fruto da cultura dos cidadãos de um país.
Estes adjetivos constituem metáforas que desquafilicam o sujeito feminino e qualificam o masculino. Se não, vejamos alguns exemplos, que foram exaustivamente avaliados em vários trabalhos, mas que cabe aqui, identificá-lo en passant. O adjetivo vadia, para a mulher tem a ver com promiscuidade, assim como vagabunda. No caso do homem, o termo vagabundo ou vadio, tem a abordagem do trabalho, mas pode incluir também um significado pos…