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A CASA OBLÍQUA - CAP. XXIX

Clara releu várias vezes a última página. De repente, sente-se invadida por uma estranha euforia. Percebia naquelas linhas um recurso para o futuro afortunado de Luisa. Ela casaria com Saymon e juntos criariam o seu filho. Ficou pensativa, folheando as páginas para ver se adiantava outra descoberta. O que havia acontecido com este filho? Sempre a visitara no seu apartamento, tão solitária. Nunca falara no filho.

De repente, a luz que iluminava outro cômodo mais ao fundo apagou-se e ela estremeceu. Por um momento, pensou que estava em seu apartamento e levantou-se rapidamente, dirigindo-se ao corredor, mas se deteve quieta. Uma bruma tomava conta do ambiente. Retrocedeu alguns passos, voltando para a poltrona. Ficou imóvel, assustada, na expectativa de que alguma coisa ruim acontecesse.

Ouviu passos que ecoavam em outros pontos da casa. O som se aproximava, ficando cada vez mais elevado e próximo, atordoando-a.

Clara encobriu os ouvidos com as mãos, encolhendo-se na poltrona, erguendo as pernas e juntando-as sobre o assento.

A luz se acendeu, o som parou e restou um silêncio intenso. Seu coração no entanto, ainda se ressentia com os resquícios de um perigo iminente. Suas mãos contorciam-se, temerosas de desafios maiores dos que já enfrentava.

Então, decidiu abrir novamente o diário, tentando concentrar-se, mas uma fumaça inesperada invadiu a sala. Atrás dela, uma mulher de rosto mirrado e fino, olhos espertos escondidos sob pesadas pálpebras, boca sumida.

Cida a fitava com um olhar irônico.

Clara levantou-se, atônita, desconhecendo-a.

— Então a moça ta querendo tomar conta do pedaço, hem? E depois, a invasora, sou eu!

Clara observava a cinza que ela espargia com o dedo, caindo no parquê. Irritou-se com a atitude e reclamou, censurando o gesto.

— Ué, se qué limpeza, vai ter que fazer faxina! Olha as teia de aranha, tão tomando conta do buteco!

— O que a senhora quer aqui?

— Pelo visto, não deve ser a mesma coisa que você. – Acrescentou, observando o caderno e os demais objetos distribuídos sobre a poltrona.

— Este apartamento é meu!

Cida deu uma sonora gargalhada, tapando a boca com a mão e sacudindo o corpo.

Clara sentiu náuseas de suas unhas sujas. Afastou-se, voltando à poltrona, pegando os objetos e guardando-os na bolsa. Pegou a chave e apontou-a para a mulher, que a examinava com olhos bem abertos.

— Quer dizer que comprou o apê?

— Quero dizer que sempre foi meu. Agora, saia daqui.

— Então a menina Clara vai tomar conta do andar inteiro.

— Não tenho que lhe explicar nada, mas para seu governo, sou Luisa. Luisa Slavicek.

Cida calou-se um minuto, pensativa e depois argumentou:

— Tá tomada pelo espírito da velha, só pode! – E voltou para o interior do apartamento, nos cômodos situados aos fundos, acenando a cabeça, crítica.

Clara pegou as suas coisas e afastou-se depressa, olhando apenas para a porta, deixando para trás aquela cena medíocre.

Quando voltou para a casa, teve a sensação que tudo havia se deteriorado. Nada parecia no lugar, o quarto em desalinho, lençóis atirados ao chão, travesseiros caídos ao pé da cama, as gavetas da cômoda abertas, com os objetos revirados.

Em seguida, correu ao escritório e debruçou o olhar nos telhados escuros, a janela do apartamento ao lado, com suas luzes amarelas, eclipsadas pela presença nojenta da invasora.

Clara desceu a persiana com raiva. Dispôs os objetos do pequeno baú envernizado sobre a mesa, as fotografias e as certidões. Também organizou as fotos que conseguira através dos rolos de filmes antigos e o caderno de capa dura com as cartas e o diário. Transferiu todas fotos e documentos, pelo scanner para uma pasta no computador. Depois, ficou examinando no monitor cada detalhe, cada ilustração que trouxesse alguma informação inusitada.

Na certidão de casamento, acionou o zoom e decifrou com cuidado todas as palavras e assinaturas com um meio sorriso, de quem alcançou o objetivo almejado.

Logo, abandonou a tela e abriu o diário. Sabia que devia seguir adiante, marcar os passos de Luisa, os passos que seriam seus.

Uma melodia antiga evadia-se de alguma vitrola ou rádio.

“Meu pai dirige o carro, preocupado. Teme por minha integridade, meu futuro. No rádio, uma música orquestrada.

Observo as ruas quase desertas, mas apenas distingo a imagem de Saymon, embalada pela música melancólica.

Não vejo a hora de encontrá-lo e demonstrar todo o meu amor, embora saiba que o tempo se esgota e que em breve, estaremos distantes e separados. Estou angustiada. Um vazio no estômago, uma sensação de insegurança me acomete. Sei que ao mesmo tempo que o verei, também terei muito pouco tempo para estarmos juntos. Estarei na plataforma onde um trem o levará para a capital, para ser interrogado. Disso depende o nosso futuro, caso haja algum futuro para nós. O destino parece brincar com nossas vidas.

As ruas agora devolvem generosas, as lembranças da noite que o resgatei. Trata-se da rua próxima ao cais, uma avenida ampla, de calçamento irregular, que faz com que o automóvel sacoleje quase com violência. Observo os trilhos reluzentes, o vagão abandonado, o cão que me lambia os sapatos e que avisou, com latidos furtivos que havia alguém ali dentro. Foi quando o encontrei, naquela voz sumida e frágil, fitando-me com um olhar de súplica, do qual jamais esquecerei. O sangue jorrava do ombro ferido e, sem pensar, enrolei-o no meu cachecol e o ajudei a sair do vagão.

Estou perdida em pensamentos, quando o automóvel se afasta, deixando para trás o cais, o porto, as ruas de pedras irregulares e as praças. Meu pai, agora, estaciona o carro na estação férrea.

Desço rapidamente em direção ao salão de embarque, seguida por ele. Ainda não há ninguém, a não ser passageiros comuns que compram bilhetes nos guichês, aguardam familiares ou esperam a partida.

Meu pai pede que me sente ao seu lado, no banco envernizado para que me tranquilize um pouco. É impossível.

Falamos de mamãe, de suas dificuldades e sua estranha alienação, mas meus pensamentos e meu coração estão em Saymon. No seu olhar triste, embora cheio de esperança. Nos seus gestos carinhosos, no seu jeito de me amar.

Avisto o carro da polícia se aproximar e me levanto rapidamente, mas meu pai me impede, segurando-me o braço.”

Saymon desce entre dois oficiais. Lucas aproxima-se de um deles e pede permissão para que Luisa fale com o clandestino.

Há uma certa discordância entre os dois, até porque Luisa está envolvida na questão.

Um deles, entretanto concorda, considerando que uma conversa entre os dois não vai mudar o rumo dos acontecimentos.

O estrangeiro deverá participar do interrogatório na capital e a função dos dois é apenas acompanhá-lo e não permitir que ocorra uma fuga, embora naquele ambiente, será completamente impossível, pois há outros policiais espalhados pela estação.

Saymon então volta-se para ela e ensaia alguns passos, aproximando-se. Olhar confiante.

Luisa que ficara no banco, a pedido do pai, corre ao seu encontro, tirando o chapéu, agitando os cabelos esvoaçantes, pelo movimento.

Abraçam-se e beijam-se apaixonados, falando ao mesmo tempo, tentando comunicar num segundo o que lhes preenche a alma.

Ficam abraçados, fazendo juras de amor, prometendo um ao outro, nunca se separem. Ele afirma, que embora seja deportado e retorne em definitivo para o seu país ou mesmo que seja fuzilado, estará sempre ao seu lado, pensando nela, amando-a até o último suspiro. Luisa pousa a mão enluvada em sua boca, impedindo-o de falar. Não, eles não se separarão. Será por pouco tempo, logo estarão juntos e felizes. Não se contém e chora, emocionada. Saymon também esconde uma lágrima com o dorso da mão.

Lucas afasta-se da cena, teorizando sobre a distância até a capital, o tempo do percurso e o desconforto dos vagões. Ele esforça-se em puxar assunto com os oficiais, na tentativa de que os deixem um pouco mais à vontade.

O trem sinaliza que está retomando o desvio para ingressar na linha geral para o embarque dos passageiros.

Daqui há pouco, estará de partida.

Luisa suspira, desolada.

Anseia contar-lhe que está grávida, mas teme que ele se sinta na obrigação de ficar com ela, apenas pela criança.

Reconhece-se egoísta, mas todo amor é exclusivista, na verdade, quer que ele a ame unicamente, sem outros compromissos, que não o de amar.

Os oficiais se aproximam, exigem que ele entre no vagão.

Saymon a beija mais uma vez e reafirma o que dissera anteriormente, de não esquecê-la jamais. Depois, afasta-se, lentamente, seguido pelos dois que o acompanham. Volta-se um instante, fitando-a atentamente, com um olhar tão triste que a comove.

Lucas se aproxima da filha e permanece ao seu lado, silencioso.

Luisa chora desconsolada, mas ao vê-lo na janela, ainda sorri, deixando que leve consigo o seu sorriso, a imagem doce e corajosa que ele conhecera.

Aos poucos os vagões começam a se mover.

O trem apita, afastando-se num som cadenciado e constante.

Luisa corre pela plataforma, tentando vê-lo pela última vez e Saymon acena da janela.

“Esperamos ansiosos pelas notícias da Capital. Meu pai parece ter esperanças, bem mais do que eu. Desde que ele soube notícias de Júlio, está mais otimista.

Meu irmão voltará em breve, não tão rapidamente como pensávamos, porque está muito debilitado psicologicamente. Ficará no hospital na Capital, em virtude dos traumas que sofreu. Mas graças a Deus, está vivo.

Minha mãe não acredita que isto seja verdade, nem mesmo toca no assunto.

Insisto, contando-lhe os fatos, mas ela faz ouvidos de mercador. Para ela, ele partiu para sempre e não voltará jamais.

Talvez, quando chegar, nem o reconheça.

Meu pai vai até a capital para buscar meu irmão. Como eu gostaria de ir para, quem sabe, ter a oportunidade de ficar um pouco mais próxima de Saymon!”

Clara lê com avidez as páginas do diário. Nem percebe que as horas passam e a madrugada se estende. Não está cansada, pelo contrário, precisa se concentrar para chegar ao final. Precisa conhecer o desfecho, que se confunde com o seu.

Às vezes, imagina, que ela própria escrevera aquelas páginas.

Levanta os olhos, espia para fora e percebe que as luzes do apartamento se apagaram. Procura esquecer aquele incidente. Pouco importa que louca se instale lá, pois será por pouco tempo, pois mais dia, menos dia, ela tomará conta do apartamento, vivendo a sua história e ninguém impedirá a sua realização.

Puxou a persiana, fechando a janela e dedicou-se atenta, à leitura.

“Quando desceram do automóvel, quase não reconheci Júlio. Estava magro, pálido, olhos fundos e gestos frágeis. Caminhava com passos inseguros, mãos nos bolsos, equilibrando-se nos degraus. Possuia um olhar vazio e desatento.

Fui ao seu encontro e o abracei. Não contive a emoção, mas ele mal correspondeu ao abraço, perdido, olhando para a casa, como se voltasse a um passado muito distante.

Perguntou por mamãe, enquanto se dirigia para casa, seguido por nós.

Eu também tinha outras indagações, por isso acompanhava meu pai com o olhar, como um cão de guarda. Precisava de uma palavra, alguma informação que me aliviasse a alma e ele parecia evitar-me o tempo todo”.

Moema não saía da prostração em que se encontrava.

Quando Júlio aproximou-se em sua direção, ela se afastou, desconfiada.

Lucas insistiu que o filho havia voltado, era um momento de alegria.

Ela desceu para o porão, batendo a porta atrás de si.

Luisa esclareceu ao irmão sobre o estado de saúde em que se encontrava a mãe, em virtude dos acontecimentos. Pediu que tivesse paciência, aos poucos ela recobraria a sanidade.

O pai, desanimado, relembrava a observação de Luisa, sobre chamar o Doutor Osvaldo. Abraçou o filho e o conduziu para a sala de jantar. Queria, que ele voltasse à vida anterior, que retomasse os seus estudos, as festas, o encontro com os amigos. Era uma jornada longa e difícil, mas tinha certeza de que tudo retomaria o seu curso normal.

Luisa, aprontou o jantar e à mesa, tentou falar sobre a escola, os alunos, as conversas de radioamador. O pai também participou, grato pelo carinho da filha.

Júlio ouviu tudo praticamente em silêncio. Logo após ao jantar, pediu licença e afastou-se em direção ao quarto.

Os dois ficaram os quietos e pensativos.

Lucas então, dirigiu-se à sala, na qual se conectava ao rádio.

Luisa estava aflita, não conseguia arrancar nenhuma informação do pai. Caminhou, contando os ladrilhos, de lá para cá, carregando a louça, atravessando descuidada pelo balcão que separava a cozinha, comprimindo os saltos, inseguros. Olhou para a louça que jazia, escorregando a gordura pela torneira aberta. Repentinamente, enveredou até a sala, indo ao encontro do pai.

Ao avistá-la, Lucas levantou-se, fazendo um gesto de anteparo com as mãos.

— Sei o que vai perguntar. Por favor, espere aqui.

Luisa sentia-se desfalecer de ansiedade. Torcia uma mão na outra, desajeitada.

Lucas foi até o cabide e tirou uma carta do paletó. Voltou e entregou-a à filha.

Luisa segurou o envelope, com as mãos trêmulas. Viu no remetente a letra de Saymon e o seu nome.

— Papai, que significa isso?

Lucas não conseguiu falar. Apenas acenou a cabeça, como que afirmando que nada mais tinha a fazer.

— Uma carta de Saymon, papai! Uma carta! – Exclamava, aflita.

Lucas aproximou-se e tentou colocar a mão em seu ombro, mas Luisa o repeliu, revoltada. Começou a ler a carta e interrompeu-se, perguntando:

— Então, ele foi deportado?

Lucas não disse nada. Não havia resposta mais adequada.

Luisa afastou-se correndo da sala, aos prantos e Lucas por impulso, tentou segui-la, mas logo se deteve.

********

Clara levantou-se indignada. Uma dor forte no peito, uma angústia acumulada, uma vontade estranha de chorar. Não podia acreditar que Saymon fosse extraditado, depois de tudo que acontecera, de todo amor e dedicação.

O celular vibrou sobre a mesa, deslizando na chamada intermitente.

Ela deixou que tocasse. Alongou o pescoço, espiando pelas brechas da persiana, mas nada viu, apenas a escuridão total.

Então, saiu do escritório, dirigindo-se ao quarto. Lá, dedicou-se a olhar para a rua. Uma chuva fina brilhava em jatos flutuantes na luz dos postes. As calçadas vazias, apenas poças d’água se formando lentamente. Pareceu-lhe ver dois policiais na esquina, olhando para o alto do prédio. Desviou o olhar, fascinada ainda pela chuva. Uma dor forte no estômago fê-la encolher-se. Os cabelos imediatamente molharam-se de um suor gelado.

Afastou-se da janela e atirou-se na cama, do jeito em que estava. Naquele momento, sentia-se terrivelmente cansada.

Fonte: site http://www.iniciados.com/besos-t9532.html

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