O ALBATROZ E O VOO INTERROMPIDO

Fonte da ilustração: Portal Brasil — http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2015/03.

Às vezes, observo as aves sobrevoando a lagoa ou mesmo em voos rasantes nas dunas irregulares do Cassino. No céu, algumas em relevante altitude, mas todas com uma elegância que nos encanta e enche o coração de esperança.

Lembro então da lenda do albatroz, que seguia o navio de Fernão de Magalhães, auxiliando-o na rota, pois após uma tempestade havia se perdido, chegando próximo à Antártica. Ele guiou o navio, afastando-o dos ventos glaciais, mas um marinheiro o matou usando-o como alvo.

O barco naufragou e o único sobrevivente, o marinheiro atirador, teve como castigo a incumbência de contar ao mundo a história do pobre albatroz.

Em determinadas situações, o homem age como o marinheiro desavisado e mata a única esperança de sobrevivência. Ou apenas ele sobrevive por algum tempo em sua traição, mesmo que sua embarcação ainda navegue por águas ilegais. Ocorre um arremedo de vida, de liberdade vigiada e nem sempre a história contada poderá resgatar a solidariedade perdida.

O albatroz morre e mesmo que sua condição de bússola tenha algum respaldo na natureza, o voo livre fora interrompido em definitivo, rasgando a cartilha das aves.

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