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PÁSSARO INCAUTO NA JANELA - CAPITULO V E CAPÍTULO VI

HOJE QUINTA-FEIRA, 21 DE JANEIRO DE 2016, PUBLICAMOS OS CAPÍTULOS QUINTO E SEXTO DE NOSSO FOLHETIM. ESPERO QUE GOSTEM E CONTINUEM LENDO A SEQUÊNCIA DOS CAPÍTULOS.

Capítulo 5

Não poderia ter sido um dia pior do aquele. Ver aquela mulher na minha frente, me olhando enviesada, tentando dissimular o mal-estar, foi um deus-nos-acuda. Se tivesse forças e coragem, teria corrido. desordenada, mas firme, para bem longe. Mas não tive, nem uma nem outra. Susana ficou intrigada, não sabia o que pensar, o que dizer. Quando nossos olhos se encontraram, o meu e o daquela mulher, por certo nossos sentidos se chocaram com a fúria que emoldura e endurece nossas almas. Pudera ficar longe do espectro que me persegue, pudera nunca mais ter o desprazer de encontrar aquele entulho de maldades. Se permanecesse segura e precisa, a ponto de evitar qualquer confronto e dissipar a nuvem e me afastar. Mas não, minhas pernas estremeceram como a vi no velório de meu filho, assumindo uma dor que era só minha. Quanto a odiei naquele dia. Quanto a odeio agora. Ainda estava trêmula e vazia, quando dei por mim. Susana pegou-me a mão, ajudou-me a sentar na poltrona macia da casa de chá. Olhei em torno, mas era como se evitasse o mundo. Nada via, nada sentia, nada me confortava. Tudo agastava e me deixava à deriva.
_A senhora não acha que talvez merecesse uma segunda chance? Não sei a que se referia, não sei que tipo de apoio era esse que só despertava desconfiança, que me deixava irritada e sem paciência. Aquietei o coração e a ouvi, contrariada. Nada disse, nem um gesto efetuei. _Não me refiro a ela, mas sim à senhora. Por que não se dá uma segunda chance e chocalha o que tem por dentro? Grite aos quatro ventos que a odeia, que a quer ver longe, que matou o seu filho! Chore, esbraveje, mas reaja. O que a senhora fez foi um absurdo contra a sua saúde mental. Foi vil, foi covarde. A senhora se anulou. Se humilhou perante seus sentimentos. Na verdade não sei se realmente quer ajudar-me. Parece mais advogado do diabo. Fica assim, insinuando que sou uma idiota, que me deixei levar, que fiquei na janela, ausente do mundo, da vida. O que ela sabe da vida? O que ela sabe de perder um filho? O que ela pensa de mim? _Dona Úrsula, quero apenas que reflita, que se questione. Olhe bem, ela era a mulher do seu filho, mas acabou. Ele não está mais aqui. A senhora não pode cultivar um medo, quase pânico quando a vê. Tive a impressão que teria um infarto, tal era o seu desconforto. A senhora tem que superar isso, tem que enfrentar este passado com quem não tem nada da dever. A senhora não é uma criminosa. _Por favor, Susana. Não me dê mais sermão. Só quero que passe essa aflição, esta angústia para irmos embora. _Não vai tomar o seu chá? _Não. Quero que me leve para casa, logo que me sentir melhor. Se não puder, tomarei um táxi. _Claro que a levarei. Mas acho que deve relaxar um pouco. Tomar o chá, observar as pessoas. Ver a vida de forma diferente. _E há forma diferente pra mim? É tudo cinza. Tudo igual. _Não pode ser tudo igual dona Úrsula. A senhora tem um passado, foi casada com um homem maravilhoso, um jornalista célebre, que enfrentou como pôde a repressão. Teve um filho que foi uma benção. _Você tem razão. Eu tive tudo isso. Só me restou o passado, as lembranças. E as lembranças machucam. Recordar é viver só para os idiotas, não para mim. _A senhora tem o seu piano. Ela segura as minhas mãos com força, como se quisesse me trazer à tona, à realidade, como se pretendesse revirar a minha vida ponta-cabeça. Por um momento, lembro o meu piano, aquele que meu pai lutou para ficar comigo. Aquele que ele livrou da hipoteca. Aquele que me deixou como herança. _Que está pensando, dona Úrsula? _Que você está sendo cruel, Susana. _Sei que sou um remédio amargo. Talvez a pílula que não pediu, mas que pode ser a cura. _Por que diz isso? _Não sei. Talvez baseada no que vi, na sua reação, no seu medo de enfrentar o passado. _E você não teme o passado? Se ela não responde, aí está seu ponto fraco. Há alguma coisa que a importuna, que a deixa estupefata em relação à vida, que não consegue contornar ou sobrepor qualquer uma de suas considerações. Tão fáceis, tão ajustadas ao meu sofrimento. E ao dela? Por que não as usa como proveito? _Na verdade, não. Tenho mais medo de meu presente. O passado até que foi bom. Comum, sem atropelos, sem grandes acontecimentos. _E por que você não fala sobre o que a incomoda, assim como exige de mim. Por que não enfrenta seus fantasmas? _Talvez porque não sejam fantasmas. Estão presentes na minha vida. Mas espere, vamos pedir o chá, já que estamos conversando. Acho que a senhora não vai desistir, vai? _Sabe o que eu acho? É que você não quer falar sobre a sua vida. Agora, em casa, pressinto que alguma mudança se operou em nossas almas, talvez tanto em mim quanto nela. Por certo, uma leve brisa, uma pequena brecha, uma busca. Tudo porém vem acrescido de muito sofrimento. Uma dor que se constrói e se consome em si mesma. Quando mexe, quando revolve a areia, vira deserto, vira tempestade. Não devia ser assim. Não se devia mexer com os mortos. São ossos enterrados, se deteriorando num passado que tem vida própria, que vem e vai quando quer, principalmente quando se tem a minha idade e se fica esperando não sei o quê, pela janela. No final das contas, estendemos um tapete vermelho e passamos incólumes, sem nenhum arranhão, porque não tivemos coragem de mergulhar no conteúdo escondido, que nos propomos espiar. Espiar, afastar as teias, encontrar o fundo do baú, o fundo do poço, o inicio do túnel, a luz que se esvai. Como esta, tênue que se apaga, deixando riscos vermelhos ao longe, transformando-se num negrume esquisito de prenúncio de tempestade. Procela agitada por raios luzidios, afundando navios, derrubando recifes. Como diria o poeta, viver é navegar, mas saber navegar é muito difícil. _Dona Úrsula, eu to indo. Meu Deus, pensei que estava sozinha. Como Dulcina invade assim minha privacidade que já é pouca, como ultrapassa a barreira da civilidade e interrompe minhas idéias, com a sofreguidão do tempo. Sempre pronta às frivolidades, aos anseios da busca lá fora por coisa desconhecida, que nem ela nem ninguém consegue encontrar. E pensa que é feliz. _A senhora ouviu o que eu disse? _Ouvi, criatura. Você me assustou. Por que vai tão tarde? _Tava bom o passeio? _Que passeio, Dulcina? Fui ao cemitério, visitar o túmulo de meu filho. _Todo este tempo? _Sabe o que eu devia fazer? Era mandá-la embora, demiti-la! Você já ouviu esta palavra? _Tá bom, não ta mais aqui quem falou. O pobrema é o seguinte: eu tava aqui esperando a senhora, porque hoje é dia de pagamento. Esqueceu? ¬_Você é uma crioula atrevida, sabia? _Alto lá. Eu posso processar a senhora por racismo. _Pois faça o que quiser, desde que me deixe em paz! _E o meu dinheiro? _Não sei, hoje não fui ao banco. _E passou a tarde fazendo o que? Batendo perna com aquela branquela? _Por favor, Dulcina, vá embora. Amanhã eu vou ao banco na primeira hora e acertamos tudo, está bem? _Bem não ta, né. Se não tem dinheiro, não tem passagem, se não tem passagem, não posso ir embora, se vou embora, não posso voltar porque não tem passagem de volta. _E o que você quer que eu faça? _A senhora não sei. Eu sei que vou ter que ficar aqui. _Aqui? Você enlouqueceu? _Não tem remédio. Ou a senhora me paga o que me deve, ou eu passo a noite aqui. E já lhe aviso, encerrei o expediente. Não me peça nem um chazinho. _Então, minha querida, você vai pagar a estadia. _Como assim? _Quer que lhe dê alojamento de graça? Aqui não é hotel. Vou descontar do seu salário. _A senhora não ia fazer isso comigo. _Por que não? Você não vai ficar aqui, abusando da minha paciência? _Mas eu não posso ir a pé pra casa! _Vou resolver o seu problema. Vou lhe dar um cheque e você troca no posto de gasolina. _E se não aceitarem? A senhora sabe como é difícil, hoje em dia, acreditarem na gente. _Não é pra menos. _Como a senhora é confiada, né? Olhe aqui, me dê este cheque mas se não der certo, eu volto, hem? E não pense em não atender a porta, que faço um escândalo! E pra seu governo, nem pense em mandar embora, porque vou trabalhar no seu algoz! _Que meu algoz, você enlouqueceu?

_O velho aí defronte, ele ta planejando alguma coisa. Se cuide!

Capítulo 6

Finalmente, o silêncio, a solidão, o estar comigo mesma, sem a presença infame de Dulcina. A atrevida me ameaçou com o velho aí da frente, como se tivesse algum poder sobre mim. Eu até havia me esquecido dele. Tudo parece muito quieto em seu quarto. A mesma luz de penumbra, a cortina meio cerrada, embora transparente. O vento que a empurra pra lá e pra cá, quase rotina, dá uma sensação de abandono, solidão, dor. Pior do que a minha. O quadro na parede, uma cópia mal feita de Picasso, cuja guerra só me vem aos pedaços. Um dia, eu saberei alguma coisa da vida dele, algo terrível e avassalador. Ele não me engana, como não me enganam as pessoas sozinhas, que falam como se dirigissem a alguém. Que falam com flores, que fingem ter amigos, que se assemelham cada vez mais a fotografias antigas cheirando à naftalina. Imagine, Rita, se eu vivesse aí, às escondidas, indefinida, como ele, falando pelas paredes, pelas janelas, contando detalhes de minha vida, como se fossem fatos públicos. Eu li nos seus lábios. Eu sei o que fez com a mulher. Sei que aquela parede esconde um crime. Um crime hediondo. Um assassinato da mulher e se ele descobrir que li seus lábios, pode querer fazer o mesmo comigo. Talvez Dulcina saiba alguma coisa, por isso, me ameaçou daquela maneira. Você viu o que ela me disse? Basta juntar os fatos, fazer os nós e esticar o cordão na íntegra. Ela tem todos os dados, todos os recursos para me acusar. Para me trair. Preciso fazer alguma coisa, chamar a policia. Eles têm que me ouvir, saber o que está acontecendo no prédio da frente. Não posso telefonar, porque o pior está por vir. Se a minha linha for grampeada, ele descobrirá tudo e antes que a polícia apareça, naquela agilidade contumaz, ele já terá desferido centenas de golpes em mim, me destruído a machadadas e me sepultado no cano da chaminé. Se tivesse chaminé neste apartamento. Mas em algum lugar que jamais será descoberto, a não ser que alguém leia os seus lábios, como eu. Meu Deus, agora me lembro! Ela o chamou de algoz. Então sabe mais do que declinou. Sabe tudo. Talvez esteja em conluio com ele. Não posso deixar que volte, pois pode ser uma trama terrível, planejando o meu fim. Não posso morrer assim, nas mãos de assassinos cruéis, sem que ninguém descubra.

Meu Deus, o interfone, esta campainha funesta. Só podem ser eles, ou apenas ela, me levando para o cadafalso, cortando a minha cabeça, destruindo minha vida. Não posso atender, mesmo que meu coração dispare pela boca e minhas pernas se afunilem juntando-se na poltrona, empurrando-se involuntárias, temerosas de ensaiar um único passo. Mas preciso saber quem é, pode ser Susana, pode ser a polícia que descobriu alguma coisa, pode ser a minha salvação. _Dona Úrsula, sou eu. _Eu quem? Não espero ninguém numa hora destas! _Não seja boba, sou eu, Dulcina. Olha, o cheque não deu certo. O cara do posto não quis trocar e o Seu Vilmar da farmácia disse que se a senhora quiser trocar, tem que vir comigo. _Com você? Está louca! Eu não vou com você! _Mas só na farmácia. Escute, não dá para a senhora abrir a porta? Tenho medo de ser assaltada aqui na rua! _Não vou, não vou descer nem sairei com você. Isso é um golpe. _Golpe é o que a senhora está aprontando pro meu lado. Vai me deixar na rua? _Vou sim, sua... sua assassina... _Que disse? Assina? Mas a senhora já assinou o bendito cheque. O pobrema é que o cara não aceitou. Entendeu? _Entendi, entendi muito bem. Vá, vá até o meu algoz e peça pra ele o dinheiro da passagem. Não estão os dois de conluio, amiguinhos, pois então. Peça pra ele. _Ele quem? Eu não to entendendo nada! _O meu algoz, não foi o que você falou? _Ah, tá bom, desisto. Eu vou me ferrá, mas não quero mais ouvir asneira, não. Vou tentar com o cara da portaria. A senhora tá cada dia mais virada. _Sua insolente. Você não põe mais os pés na minha casa! Se ao menos tivesse um tranqüilizante, alguma coisa que me fizesse dormir e esquecesse toda esta trama miserável. Que será de mim? Que pretendem fazer com a minha vida? Pensando bem, não espero muito da vida. Talvez até seja o descanso que estou esperando desde que o Luisinho morreu. Só não quero sofrer, ser torturada, como na época do Ai-5. Jaime já tinha tantos problemas, tantos medos e sofria tantas represálias. Naquela noite em que ele viajou, num chamado oficial dos assessores de imprensa da presidência, meu coração ficou apertado. Durante muito tempo fiquei sem saber o que fazer, o que dizer, temerosa que alguma coisa ruim acontecesse com ele. Desconfiava de tudo e de todos. Quase não saía à rua, sempre à espera que o telefone tocasse, mas as horas passavam sem nenhuma notícia. Apenas minha irmã mais velha telefonou-me. Carmem estava viúva, a filha no exterior e sentia-se tão mal, tão sozinha, embora não confiasse isso a ninguém. Fiquei um pouco surpresa, porque não era dada a visitas, nem muito amiga de conversas que não tivessem um objetivo real, preciso, objetivo. Quase burocrática. Na verdade, naquela noite, não queria atendê-la. Não estava em condições emocionais de ver ninguém, nem minha irmã. Nada me consolava, me deixava esperançosa. Temia que as crônicas, os artigos ou as notícias comentadas de Jaime fossem censuradas e mais do que isso, que o transformassem num bode expiatório em retaliação aos manifestos que estavam ocorrendo em todo o país. Além disso, qualquer um que tive alguma ligação com integrantes da esquerda, era chamado de subversivo, pois compactuava com a ideologia oposicionista. Tinha voltado do quarto de Luisinho, que dormia tão tranquilo, sem entender nada do que acontecia a sua volta, quando Carmem bateu na porta. Embora soubesse que era ela, meu coração acelerou, assustado. Carmem era alienada de assuntos políticos. Para ela, a única importância era a família, a tradição da sociedade, os bons costumes, a religiosidade. Quando adolescente, afastava-se dos jovens de sua idade, preferia o silêncio, o estar em família, o fazer das lides da casa. Apesar de viver tão isolada, não era afeita às leituras e tinha por hábito censurar os romances que eu lia, considerando-os inúteis, tempo perdido, segundo suas palavras. Meu irmão mais moço, cedo foi para o internato e de lá para o quartel. Quando o revimos, já era um homem completamente diferente do menino ingênuo que conhecíamos. Estava envolvido com as namoradas, com as festas, as viagens, até afastar-se totalmente da família, arranjando um emprego de mestre de obras na Arábia Saudita. Minha mãe sofrera muito, mas aos poucos assimilou silenciosa o vazio do filho ausente. Eu continuava entre as minhas leituras e a aprendizagem no piano. Quando Carmem casou-se com um célebre representante da Marinha brasileira, eu ainda não havia conhecido o Jaime. Talvez um dia, escreva a minha história e exorcize os fantasmas que preenchem os meus dias e noites.
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