O DOCE BORDADO AZUL - 19º CAPÍTULO

Hoje é terça-feira. Nosso folhetim continua, hoje apresentando o capítulo 19. Na quinta, prosseguirá em sequência.

Capítulo XIX

A surpresa de Bárbara

Bárbara desceu do táxi e caminhou pela rua estreita, procurando num pedaço de papel o endereço correto. Percebeu que o número não coincidia com o do prédio. Não tinha muita certeza de que estava no local certo, mas precisava seguir em frente, mesmo que para isso, fosse necessário caminhar, bater em portas, fazer perguntas. Por um momento, teve a sensação que estava nas ruas de Minsk, nas vilas densamente povoadas dos povos oriundos da Rússia e de imigrantes, como ela, que constituíam uma população tão eclética. Então, estremeceu. As mãos ficaram úmidas, os dedos engendraram pequenos movimentos dentro do bolso do casaco, nervosos. Precisava reagir, tentava convencer-se. Não era um tempo de boas lembranças, mas não podia ficar remoendo o passado, a tragédia que havia sido a sua vida. Também não sabia bem o motivo de procurar uma pessoa que demonstrara tão pouco interesse por ela. Afinal, tentou comunicar-se durante todo o tempo em que morou em Minsk e nunca houve, a bem da verdade, um contato efetivo, que as unisse profundamente. Lúcia na maioria das vezes, importava-se exclusivamente em falar de si, de suas vitórias, de sua tranquilidade em aceitar placidamente o que a vida lhe reservara. A vida era cheia de oportunidades, sempre brindadas com alegria e despojamento. E ao contar-lhe da tragédia de sua vida, ela esquivou-se de enviar uma única linha, uma única mensagem de conforto e atenção. Não sabia realmente se deveria procurá-la, se não seria melhor dar meia volta e retornar a sua vida triste e solitária, num apartamento rodeado de telhados, assistindo os gatos ultrapassarem os terraços e se deleitarem na solidão improvisada de humanos. Estava assim envolvida com seus próprios pensamentos, quando sentiu-se segura pelo braço, de uma forma inesperada. Assustou-se, sem entender o que acontecia.

–Desculpe moça, é que você ia despencar neste buraco de esgoto. Podia até quebrar um pé, uma perna.

Olhava para o homem que a segurava, tentando entender a sua atitude. Olhar absorto, coração antecipado. Quando deu-se conta da ajuda, o homem já se afastava. Então, chamou-o, agradecendo e mostrando o endereço que procurava.

–Ah, é aqui mesmo, moça. Só que fica no outro lado da rua. Este edifício tem duas portarias e a que você procura é a do outro lado. Qual é mesmo o apartamento?

–Não é apartamento. Na verdade, não tenho certeza. Só este número.

O homem a olhava ensimesmado. Aquela mulher demonstrava tanta fragilidade, que o desorientava. Mesmo assim, tentava parecer natural.

–Estranho, pensei que se tratasse daquele prédio. Trezentos e...espere um pouco. Este número é da casa de uma amiga minha. É de Laura.

Bárbara esboçou uma surpresa agradável, mais confiante.

–Laura? Sim, acho que sim. Mas procuro por Lúcia.

–A filha. Pode deixar que vou acompanhá-la até lá. Conheço muito bem aquela gente. Gente boa! Olhe, eu moro no condomínio da esquina e elas ficam bem na outra extremidade. Como é mesmo o seu nome?

Ao ouvir o nome, ele se apresenta.

–Eu sou Gustavo e muito amigo delas. Pode confiar.

Bárbara confiou. Não havia alternativa. As informações dadas por Gustavo coincidiam com as que tinha. Não havia dúvidas que eram mãe e filha. Não demorou muito, estavam à porta de Laura. Gustavo, foi o primeiro a falar.

–Muito bem. Está aqui e eu já vou indo.

Bárbara tentou ser gentil.

–Não vai entrar para cumprimentá-las?

Ele sorriu, satisfeito, acenando vigorosamente a cabeça.

– Que nada! Já tive emoções demais com estas duas! Por hoje, chega!

Bárbara não entendeu a que ele se referia, mas não importava agora. Esperou que alguém abrisse a porta, ainda tensa. Lúcia, ao vê-la, mostrou-se surpresa. Acrescentou, dispersa.

–Você é...

Bárbara antecipou-se, rápida, esperando a acolhida. Lúcia aproximou-se e beijou-a no rosto, um tanto fria. Convidou-a a entrar e pediu que sentasse na poltrona, próxima à janela.

–Minha mãe senta-se sempre aí, fica olhando pela janela, fazendo os seus bordados.

Bárbara encolheu-se na poltrona, com um arrepio. Lembrou-se imediatamente do presente de Laura. Perguntou se não estava em casa. Lúcia hesitava um pouco, como se não tivesse certeza do paradeiro da mãe.

–Ela saiu, acho. Não faz muito, disse que daria umas voltas. Mas Dona Laura sempre surpreende.

–É verdade.

–Que disse?

Bárbara ficou em silêncio. Lúcia sorri e argumenta.

– É verdade. Ela sempre surpreende. Você lembra de minha mãe, não lembra?

Bárbara responde um sim quase inaudível, e em seguida, a convida para mudarem de assunto.

– Você sabe, não gostaria de falar em sua mãe. Teremos muito tempo para conversarmos sobre ela. Mas é que tenho tantas coisas a dizer-lhe.

– O que, por exemplo? Não sei se você sabe, mas minha mãe é a pessoa mais importante pra mim. É uma mulher de muito valor, de fibra.

Bárbara não entendeu a maneira enfática, com a qual Lúcia se referia à mãe, como se a tivesse insultado. Resguardou-se, evitando uma discussão maior. Lúcia, entretanto prosseguiu no mesmo tom autoritário.

– Acho que você não conhece a história de minha família, Bárbara. Nós moramos há muito tempo sozinhas. Vivemos uma para a outra. Ela governa esta casa com mão de ferro, como uma imperatriz. Somos muito unidas e não admito que ninguém a considere uma pessoa inoportuna.

Bárbara jamais imaginaria aquele diálogo, beirando ao absurdo, mas precisava justificar a sua presença. Não estava ali para discutir sobre Laura e espantava-se com a exaltação de Lúcia.

–Lúcia, não estou entendendo. Não pensei que a ofendesse, apenas imaginei que falaríamos sobre nós.

– Nenhum assunto pode tirá-la do contexto. Ela é a única pessoa que confio nesta vida!

Bárbara levantou-se da poltrona, irritada. Repetiu que estava ali apenas para visitá-la, mas percebera que estava sendo mal interpretada, por isso, iria embora. Lúcia também levantou-se e aproximou-se rapidamente dela, com um olhar transtornado, como se acordasse subitamente de um pesadelo. Olhava-a ainda em transe, mas desta vez, pedindo que ficasse, incluindo desculpas sob expressões desconexas. Bárbara insistiu em sair, mas ela encostou-se na porta, ficando mais próxima da amiga, impedindo-a.

–Por favor, desculpe. Você tem razão, eu não deveria ter falado assim, como se você tivesse alguma coisa contra a minha mãe. É que estou meio perturbada, sabe. Tomei uns remédios controlados, contra a depressão. Tenho que lhe confessar uma coisa, minha mãe está doente, muito doente. Talvez por isso, eu reagi daquela forma. Por favor, fique.

Bárbara hesitou, confusa com a situação. Avançou um pouco, demonstrando não estar convencida, mas a pressão de Lúcia era forte. Falava com a voz ofegante e algumas lágrimas emergenciais nos olhos. Pedia quase em súplica, que ficasse. Bárbara então obedeceu, curiosa, percebendo que um sofrimento se abalava sobre aquela família. Devia haver alguma coisa terrível, para Lúcia mostrar-se tão desequilibrada. Sentou-se, por fim, desculpando-se por não perceber que havia algo errado com Laura. Lúcia então sorriu, exigindo que ela esquecesse o assunto.

–Você tem razão, nós devemos falar de nós. Afinal, passaram tantos anos. Você foi para o exterior, casou-se. E nossas comunicações se tornaram tão precárias.

Bárbara calou-se por um momento. Na verdade, não era o que tinha acontecido durante muito tempo em que esteve fora. Lúcia sempre falara de si, de sua vida, de seus problemas e principalmente de seus progressos pessoais.

Lúcia prosseguiu, entusiasmada: –imagine como fiquei feliz, quando Irmã Carlota informou-me que você voltaria. Tudo começou com a história de Irmã Dolores. Aquela carta estranha, contando-me fatos que não me interessavam, na verdade. O que eu tinha a ver com o passado de Madalena, de seus problemas. Parece que a freira tramava uma pegadinha. É incrível, não é mesmo? Irmã Dolores era encantadora. Você lembra dela?

–Lúcia, eu passei muito tempo naquele convento, toda a minha vida até afastar-me definitivamente. Ela faz parte da minha infância, minha adolescência, assim como vocês. Eu me lembro muito de você, de Madalena, de Ana.

–Voce soube o que aconteceu com Ana?

–Sim, soube quando cheguei. Ela não teve uma vida feliz.

–Nós não tivemos, nem eu, nem você. Ana apenas morreu. Mas o tempo que esteve aqui, foi feliz, do jeito dela.

Bárbara calou-se, pensativa. Às vezes, Lúcia se tornava uma pessoa distante, e o que dizia soava falso, como se repetisse uma frase pronta, sem refletir.

–Por que você diz que não foi feliz?

Lúcia levantou-se, dirigindo-se à janela, espiando para fora, puxando levemente a cortina, como se esperasse a chegada de alguém. Acrescentou em tom dramático.

–Ora, Bárbara, como é que você me pergunta uma coisa destas! Não sabe como é a minha vida! Nunca alcancei nada importante, nunca progredi desde aquela época. Não passo de uma desempregada, não sou casada, não tenho filhos. Como pensa que vou ser feliz? A felicidade não se cata de esperanças, minha querida!

– Mas e a universidade? E o mestrado?

Lúcia voltou-se espantada. Aproximou-se da poltrona em que estava, sentou-se, encolheu os joelhos e pousou as mãos delicadamente sobre eles.

– Universidade?

–Sim, você sempre me dizia nos e-mails, nas cartas.

–Cartas?

–Lúcia, não estou entendendo. A gente sempre se correspondeu, quase todo o tempo. Até fiquei muito triste com você, porque não me deu uma palavra de conforto, uma única frase de carinho, quando me aconteceu aquela tragédia. Eu lhe contei tudo, eu contei em minúcias todo o meu sofrimento e você se afastou. Nunca mais me deu um único recado, uma mensagem sequer.

Lúcia de repente sentia toda a energia se esgotar, como se um sinal sinistro a ameaçasse. Tentou falar alguma coisa, mas não conseguiu. Uma dor de cabeça e as palavras de Bárbara pareciam badaladas terríveis em sua mente.

– Foi muito duro, Lúcia e quando Irmã Carlota não a convidou para o encontro, entendi tudo. Você não queria me ver, você evitava uma aproximação. E eu queria saber o motivo, principalmente quando soube que fez ameaças à Madalena.

Lúcia balbuciou assustada.

– Foi uma bobagem, uma chantagem idiota que vou pagar pela vida afora.

–Mas o que isto tem a ver comigo?

–Bárbara, não é justo julgar-me desse modo.

Bárbara silenciou por um momento, mas percebia que nada era esclarecido. E depois da visita de Laura e de seu fatídico presente, era impossível não fazer uma ligação entre os fatos.

–Você sempre afirmou que eu deveria saber de tudo, que era a preferida de Irmã Dolores, que a carta tinha sido escrita em russo e por isso, a única pessoa envolvida era eu.

– Como sabe de tudo isso?

– Você não acha que é muita ingenuidade achar que eu não descobriria? Soube tudo naquele encontro.

Lúcia permaneceu que havia sido demasiado ingênua. Elas passaram o tempo todo falando dela, considerando-a a vilã da história, engendrando penas para a punirem. Souberam se resguardar muito bem, ela é que tinha sido uma idiota. Lúcia se maldizia por sua total ignorância dos acontecimentos. Bárbara prosseguia, segura.

–E quem me diz que aquela carta tinha sido escrita pela pobre Irmã Dolores? Quem pode me afirmar que tudo não passou de um plano seu?

–Por que diz isso?

–Porque você já conhecia o idioma russo, de tanto lhe escrever. Várias vezes, você pediu que lhe mandasse os e-mails em russo e decorava as palavras, as expressões. Até me disse que estava estudando russo! Por que não teria planejado tudo, hem? Afinal, qual era o seu objetivo? Extorquir Madalena? Acabar com o seu prestígio? Vingar-se de todas nós?

–Vingar-me? Eu?

–Sim, porque você sempre foi a mais tímida, a mais complicada. Eu era órfã, mas era inteligente, bonita, alegre. Tinha prestígio no colégio. Você sempre enfatizava isso em todas as cartas, relembrando cada momento em que me odiou. Na verdade, acho que nunca gostou de nenhuma de nós.

–Você está sendo dura, Bárbara. Está me ofendendo!

Bárbara parecia tomar uma decisão repentina. Levantou-se, pegou a bolsa e disse que iria embora. Lúcia apenas acompanhou o gesto, com um olhar.

–Você tem razão, Lúcia. Na verdade, eu nem sei porque vim aqui, acho que é porque estava muito angustiada. Isto agora não me interessa mais.

Lúcia abandona a voz suave, sumida e grita, exaltada, quase em desepero. Bárbara recua alguns passos, assustada. Lúcia a examina de alto a baixo e excede toda a ira acumulada.

–Agora que você despejou todo este lodaçal na minha cabeça, acha que pode ir embora, assim, impune! Sente-se aí, você vai me ouvir!

Bárbara obedece, temendo ser agredida. Depois do que lhe acontecera, sentia-se acuada, como se a vida a qualquer momento lhe preparasse uma peça. Sentou-se submissa, ouvindo o que a outra tinha a dizer.

–Eu esperei por este momento, quanto esperei para recebê-la e recebê-la bem, diga-se de passagem. Limpei a casa, deixei a cozinha impecável, para apenas preparar-lhe um café. E agora, você me aparece, assim, com esta cara amassada, mais velha do que eu imaginava, com pedras na mão, me ofendendo. Quem você pensa que é? A rainha da Inglaterra?

Bárbara esboçou uma reação, tentou levantar-se e afastar-se, mas Lúcia aproximou-se dominadora, de modo que dispensava rodeios. Parecia disposta a enfrentar o inimigo e para isso usaria todas as armas que conhecia.

–Fique aí, eu já disse que vai me ouvir até o fim!

–Está bem, mas o que tem mais a me dizer?

–Você não imagina? Não é capaz? Se já presumiu o que quis de mim, se já me julgou uma criminosa, como não sabe o que tenho para dizer?

–Eu não disse isso.

–Como não disse? Você me acusou de falsária, de mentirosa, de chantagista.

Bárbara emudeceu. Lúcia parecia ter se acalmado um pouco. Voltou a sentar-se em sua frente, defendendo-se.

–Todos os fatos foram distorcidos à revelia, com interesses sabe Deus, de quê! O que sei é que eram interesses escusos! Porque eu sou inocente.

Encheu os olhos d’água, mas quem a observasse bem, notaria que forçara as pálpebras para projetar algumas gotas.

–Por uma fraqueza minha, me acusararam. Sei que errei em fazer aquelas ameaças idiotas à Madalena, mas eu jamais levaria a cabo. Irmã Carlota sabia bem disso. Eu me arrependi por aquele gesto, foi uma bobagem. Estava desempregada, minha mãe estava doente e eu ... bem, usei daquele subterfúgio só para conseguir um emprego! Algumas dormem com os futuros patrões, eu agi desta forma!

Bárbara estava visivelmente constrangida. De repente, toda aquela conversa, tudo o que acontecera não tinha o menor sentido. Que interessava agora saber se Lúcia era culpada ou não de toda aquela história absurda. Pretendia sair imediatamente dali, tocar a sua vida, e esquecer que pusera os pés naquela casa. Mas Lúcia falava, com veemência.

–Agora, você chega na minha casa e me acusa de uma série de coisas que eu não pratiquei. Que história é essa de cartas em russo? Eu nunca escrevi uma carta em russo para você, muito menos sei qualquer palavra nesta língua! Aliás, eu só recebi um e-mail ou dois, logo que você partiu. Nós nunca nos comunicamos! Nem por carta, nem por e-mail, nem por meio nenhum!

Bárbara estava estupefata. Agora entendia que tinha mais motivos para temer a reação de Lúcia. Havia alguma coisa muito estranha em sua personalidade, traços antagônicos, de total negação, que beiravam à insanidade. Aquela mulher deveria ser uma louca e a ameaça então se configurava com muito mais propriedade. Devia usar uma nova estratégia e resolveu concordar com tudo que dizia.

–Lúcia, acho que você tem razão, eu jamais deveria tê-la acusado destas coisas. É que fiquei muito chateada, porque não compareceu. Eu errei, errei sim em vir aqui e dizer-lhe estas bobagens.

Lúcia a desafiava, intransigente.

– Mas veio, e está aqui porque quer. Você fez uma acusação grave, Bárbara e agora não quer que eu me defenda?

–Não é nada disso. Eu já concordei com você, eu acho que você não tem nada a ver com isso.

– Eu não quero que concorde comigo! Eu quero que me ouça. Quero que me dê este direito!

–Está bem, Lúcia. Fale, fale o que quiser.

–Não assim. Sei que no fundo, não tem o mínimo cuidado com o que estou dizendo. Está somente querendo me agradar.

Ao terminar a frase, pegou-a vigorosamente pelo braço, quase levantando-a da poltrona. Bárbara seguiu-a, apavorada.

–Venha, vou mostrar uma coisa. Vou provar-lhe que é tudo mentira o que pensam de mim!

– Eu sei que é mentira, Lúcia. O que você pretende, por que não solta o meu braço?

–Porque vou encaminhá-la. Você não sabe onde é. Venha comigo!

E dizendo isso, puxou-a corredor à fora, levando-a até o seu quarto. Bárbara estaca na porta. Lúcia, na sua frente, vai até o computador e o liga rapidamente.

–Espere um pouco. Ele é demorado como uma lesma! Vou mostrar-lhe todos os meus e-mails, você verá que não há nada que identifique qualquer mensagem em russo!

Bárbara afirmava que aquilo não era necessário e intimamente, sabia que ela poderia ter apagado qualquer mensagem ou texto se lhe interessasse. Não provaria nada, mas o melhor era obedecer. Quando iniciou a operação, Lúcia procurou abrir de imediato os e-mails e inesperadamente, uma mensagem de Bárbara surgiu na tela. Ela não conteve uma exclamação de surpresa.

–Meu Deus!

Bárbara percebeu que havia uma resposta em russo. Lúcia aproximou-se da tela, cobrindo-a com as mãos, chorando convulsa. Gritava sem cessar que alguém tinha criado aquilo, que não tinha sido ela a responsável, que se tratava de um vírus. Bárbara aproveitou para fugir em disparada, procurando a porta da rua, para afastar-se o mais rápido possível. Quando saiu, deparou-se com Laura que surgia inesperadamente.

–Bárbara, que bom que veio visitar-nos! Não sabia que seria hoje, se soubesse, certamente a teria esperado!

Bárbara a olhou transtornada, recusando-se a responder qualquer coisa. Afastou-se, fugindo daquela casa de malucas. Laura deu de ombros, resmungando.

– Que bicho a mordeu?

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