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Mostrando postagens de Agosto 15, 2014

AS MENINAS DA SOCOOWSKI

São lindas, feias, morenas, loiras, negras e sararás. São pobres, jovens; jovens demais. Aparentam entre 14 e 21 anos. Não se sabe precisar ao certo. Afinal, permanecem ali, na beira da calçada, sem sonhos ou direções. Seus encantos e encantamentos se foram há tempos, na sarjeta da rua sem meio fio. Por certo, há pouco brincavam e vez que outra, ainda o fazem, na imaginação. Brinquedos usados, roupas da última campanha, dores do desfazer, do quase inexistir. Estão lá, considerando-se belas, cabelos despenteados, roupas que nem lhes cabem, botas compradas com o dinheiro da humilhação e decadência. As meninas da Socoowski*. Talvez tivessem outro destino. Talvez não se desfrutassem nas madrugadas e manhãs frias da Socoowiski, oferecendo-se nos pontos de ônibus ou aos caminhoneiros de passagem. Talvez tivessem outros sonhos, se a vida lhes fosse afável. Ou não. Buscam o que precisam, não refletem, não questionam. Seus sonhos são rasteiros e doídos, despidos de qualquer beleza. Seu aspecto é tristo…