O mundo evoluiu?


Às vezes, me pergunto o que está havendo com as pessoas, com os jovens que, de certa forma, ditam as regras da sociedade em que vivem (pelo menos nos grupos que participam e nos quais exercem grande influência). Provavelmente, minha avó teria este mesmo pensamento de dúvida e estarrecimento,  na época em que todos éramos  jovens e gritávamos aos quatro ventos as nossas angústias, os nossos objetivos bem calcados em modelos distantes de sua experiência, numa vanguarda que muitas vezes assustava. Talvez coisas bem mais brandas, como deixar o cabelo comprido, a barba por fazer, um cinturão de couro na cintura, uma calça santropê, com uma nesga do lado da perna. Por outro lado, havia as discussões filosóficas intermináveis, as procuras por novos caminhos na política (para alguns), a leitura dos grandes autores e entrar de cabeça nas novas ideias, os desejos de ser livre a qualquer preço, de sair do jugo dos pais, dos professores, dos mais velhos. Não se confiava em quem tinha mais de 30, naquela época, porque em geral, eram os donos dos mesmos preconceitos, da busca desenfreada pelo vil metal, da luta diária de manter o status quo. Tínhamos sonhos de amor livre, da “liberdade” das drogas, do altruísmo de construir uma sociedade de iguais. Hoje, nós absorvemos o que de bom ficou e descartamos o que nos prejudica (nem todos), mas ficou uma mudança de valores, de paradigmas, de evolução do mundo, de amor pela natureza, de solidariedade humana. Agora, porém, os mais velhos também estão estupefatos, mas não porque alguém luta por mais avanços progressistas, ou que haja uma vanguarda nos pensamentos da humanidade. Ao contrário, parece que estamos enveredando pelo caminho das trevas, como na Idade Média. Hoje em dia, as pessoas postam comentários a favor de justiça com as próprias mãos, como no caso da jornalista do SBT, subproduto desta mídia reacionária com o slogan “adote um bandido”, debochando dos direitos humanos. As pessoas espancam os pobres e principalmente os negros, sempre confundidos com marginais. Agridem jogadores de etnia africana, fazendo bullying, com exclamações humilhantes. Atingem idosos nas ruas, extrapolam no trânsito, com uma fúria selvagem, como se todos os demais fossem apenas obstáculos no seu trajeto, elogiam os ditadores, fazem analogia à ditadura, vestem-se de nazistas para torturar homossexuais ou quaisquer pessoas que fujam aos padrões étnicos ou sociais por eles aceitáveis, fazem homenagens a Hitler, como o que aconteceu em Itajaí, SC, os homens assediam as mulheres nos metrôs, em lugares públicos, como bárbaros, os adolescentes não conseguem decifrar o que leem (quando leem). A involuçao parece cíclica. O homem, ao invés de avançar, regride terrivelmente e o pior de tudo, os jovens que deveriam manter a vanguarda dos movimentos, estão entrincheirados na fronteira da ignorância. Graças a Deus, não são todos. 

A ilustração é do site http://contosdalua2014.blogspot.com.br

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