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Um café bem-vindo


Um café bem-vindo

Um café é sempre bem-vindo. Por onde vou, por mais calor que esteja, estou sempre à procura de um café. Um café me anima a alma, me conforta, me liberta do mau humor. Um café me acorda, me deixa ágil para fazer os textos, para viajar (tanto na escrita, quanto na estrada real), um café me transporta. Muito se tem falado sobre o café e ressaltado seus benefícios ou malefícios. Pra mim, no entanto, além de tudo que é dito, estudado, pesquisado, analisado, é transcendental. É um universo. Sentir o aroma do café é absorver a primavera na sua plenitude, é agitar o coração, é percorrer com leveza os campos. O café é verão, sentir as pernas salgadas pelo sal da praia, naquele velho calção de banho, escorrendo os pingos até os pés, sentando numa cadeira à frente do bar e sorver o café preto, denso, forte, com sotaque de praia. O café é alento, calor no inverno, um upgrade à memória e imaginação, quando sentado à escrivaninha, escrevendo aquele texto que para nós parece iluminado, mas que com o café se transfigura. O café amadurece aos poucos, sentimo-lo preencher com cuidado na boca, a língua adocicada e aquele cheiro de infância que invadia as ruas do outono, no início das aulas. Acho que o café é o resumo das quatro estações junto, aquelas climáticas, que vivemos diariamente, mas também, mescladas nas estações de Vivaldi. É. Tomar um café é vivenciar a música, é participar dos adagios, dos allegros, e todos os compassos e absorver a sonoridade da melodia, influenciar-se pelos altos e baixos e vibrar nas apoteóses. Tomar um café é viver. Viver plenamente. É ser feliz. 
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